A Justiça Federal no DF deu prazo para o Discord apresentar proposta de conciliação em ação sobre proteção de mulheres, crianças e adolescentes. A plataforma pediu o prazo na primeira audiência com AGU e MPF.
A Justiça Federal no Distrito Federal concedeu, nesta quarta-feira (2), prazo de dez dias para que a plataforma Discord apresente uma proposta de conciliação na ação em que o governo federal pede medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes na internet. O prazo foi solicitado pela plataforma durante a primeira audiência do caso, que também envolveu representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério Público Federal (MPF).
Na ação, o governo federal requer que a empresa adote mecanismos capazes de prevenir e remediar situações de risco entre usuários, especialmente em episódios que envolvam violência, abuso sexual e incentivo ao suicídio. Antes de protocolar a ação na Justiça, o governo federal tentou fechar acordo com a plataforma para que eventuais falhas fossem corrigidas, segundo documentos do processo.
A AGU informou que as medidas apresentadas anteriormente pela empresa foram consideradas insuficientes para eliminar as falhas apontadas e, por isso, protocolou a ação na Justiça. A pressão sobre a plataforma intensificou-se após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu em julho.
Proposta que o Discord pretende apresentar
- Protocolo para notificações sobre sextorsão: apresentação de um procedimento para receber e tratar denúncias e notificações relativas a casos de sextorsão na plataforma.
- Mecanismo de detecção e moderação: ferramentas para identificar e moderar conteúdos relacionados a maus-tratos e crueldade contra animais.
- Preservação de dados de usuários: medidas para manter registros e preservar dados de usuários de modo a assegurar eventual requisição por investigações.
O teor detalhado da proposta de conciliação será apresentado no prazo estabelecido pela Justiça. Cabe ressaltar que a exigência judicial visa garantir a adoção de procedimentos que, segundo o processo, diminuam riscos a grupos vulneráveis e facilitem a atuação das autoridades em casos que requeiram investigação.
Durante a audiência, as partes debateram pontos técnicos e jurídicos relacionados à responsabilidade da plataforma sobre conteúdo gerado por usuários e à cooperação com órgãos de investigação. O processo agora aguarda a apresentação formal da proposta pelo Discord, que terá dez dias para protocolar as medidas sugeridas e possíveis compromissos de implementação.
O desfecho da tentativa de conciliação poderá influenciar o rumo da ação judicial, que permanece em tramitação. Até a apresentação da proposta dentro do prazo estabelecido, não há decisão final sobre eventuais sanções ou determinações complementares por parte da Justiça.
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