Leica trouxe de volta uma das lentes mais raras da marca, inspirada numa óptica de reconhecimento da Guerra Fria. A edição limitada de 660 peças chega por US$ 10.900 (≈R$ 55.800).
Uma das lentes mais raras já produzidas pela Leica está de volta ao catálogo. A montadora resgatou dos arquivos a Leica Summicron‑M 66 f/2, uma edição especial inspirada em uma óptica desenvolvida durante a Guerra Fria para missões de reconhecimento e fotografia discreta. A nova versão terá apenas 660 unidades e chega ao mercado por US$ 10.900 (aproximadamente R$ 55.800).
A peça é uma releitura moderna da Elcan 66mm f/2, criada pela Ernst Leitz Canada no final dos anos 1960 após uma encomenda da Marinha dos Estados Unidos. O projeto original teria tido uma produção de aproximadamente 200 exemplares, o que a transformou em uma das ópticas mais raras relacionadas ao sistema M da Leica.
O desenvolvimento da Elcan 66mm f/2 ficou sob responsabilidade do designer óptico Dr. Walter Mandler, que recebeu a missão de criar uma lente compacta, mas capaz de entregar resolução excepcional para operações de reconhecimento. A distância focal incomum de 66 mm não foi escolhida por acaso: segundo o relato atribuído a Mandler, a especificação buscava equilibrar resolução, contraste e tamanho reduzido, permitindo que o equipamento fosse utilizado de maneira discreta.
Historicamente, a lente chegou a ser utilizada em conjunto com a Leica KE‑7A, uma versão militar da Leica M4. Além da Marinha dos EUA, relatos históricos indicam que equipamentos semelhantes também foram utilizados por parceiros ocidentais durante a Guerra Fria.
Um dos detalhes mais curiosos envolvendo a Elcan original está relacionado ao nível de sigilo das missões. Os conjuntos de câmera e lente eram acompanhados por instruções sobre como destruir o equipamento caso o fotógrafo fosse capturado. A medida mostra que o equipamento não era simplesmente uma versão militar de uma câmera comercial, mas fazia parte de operações em que a possibilidade de captura e exposição das informações precisava ser considerada.
Para a Summicron‑M 66 f/2, a Leica preservou elementos que remetem diretamente ao projeto histórico, ao mesmo tempo em que atualizou a construção óptica para padrões contemporâneos. Entre os detalhes está um anel de abertura que gira na direção oposta à adotada pelas lentes M convencionais. A peça também apresenta uma escala de distância inspirada nos equipamentos militares e gravações baseadas na Elcan original.
Outro detalhe é o pequeno “60” gravado na lateral, marcação que indica que a distância focal real da unidade foi medida com precisão em 66,0 mm. A lente estará disponível mundialmente a partir de 3 de setembro, diretamente pela Leica e por revendedores autorizados.
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