No domingo, Céu subiu ao show de Marina no Rock in Rio e cantou 'Varanda Suspensa' e 'Malemolência'. Nos bastidores, elas confirmaram intenção de se reunir em estúdio, com agendas mais alinhadas.
O encontro entre Marina Sena e Céu no último dia do Rock in Rio 2026 não deve terminar no Palco Sunset. Em entrevistas após a apresentação de domingo (13), as duas disseram que pretendem entrar juntas em estúdio — um plano que já havia sido discutido anteriormente, mas que acabou esbarrando nas agendas das cantoras.
No festival, Céu apareceu na parte central do show de Marina para cantar duas faixas do seu repertório: “Varanda Suspensa” e “Malemolência”. Logo depois, Marina emendou “Por Supuesto”, um de seus maiores sucessos — e revelou nos bastidores que a canção foi diretamente inspirada pela primeira delas. O repertório da apresentação confirma a sequência das três músicas.
“Eu sou artista hoje porque Céu também tem uma trajetória que me inspirou demais. Ela é uma sereia, uma bruxa que reverbera muito dentro de mim. A música da Céu me atravessa de diversas formas. Inclusive, ‘Por Supuesto’ é inspirada em ‘Varanda Suspensa’. […] Ela é uma das mães da minha voz, mães da minha entrega artística.”
O vínculo entre as cantoras, portanto, vai além de uma participação pontual no Rock in Rio. Marina colocou Céu entre as artistas que ajudaram a formar sua maneira de cantar e a construir sua obra. Para ela, dividir o palco com uma referência de sua formação teve o peso de um reconhecimento de uma trajetória que começou muito antes da estreia solo.
Na construção do show, a escolha das músicas deixou explícita essa ligação. “Varanda Suspensa” e “Malemolência” pertencem ao repertório que acompanha Céu desde o início da carreira — “Malemolência” integra o primeiro álbum da cantora, lançado em 2005, disco que a levou ao mercado internacional, entrou na Billboard 200 e recebeu indicação ao Grammy.
“A gente já tinha uma vez conversado sobre fazer música juntas e acabou que as agendas não deram certo. […] A gente ficou superemocionada depois, no final do show. […] Falou: ‘Temos que fazer música juntas, pelo amor de Deus, para continuar o bonde andando’. A gente vai fazer, com certeza.”
Céu descreveu o encontro como a continuidade de uma cadeia de influências entre gerações de mulheres da música brasileira, ressaltando o papel de artistas que abriram portas para as que vieram depois.
“Sou filha de outras artistas, de outras artistas que abriram as portas, outras gerações. E aí eu estou aqui com essa grande artista hoje do pop, influenciando ela de uma certa maneira. Acho que é sobre a gente dar continuidade numa linhagem. Fico mesmo muito realizada.”
O momento também coincidiu com um período de revisão da própria trajetória de Céu, que vem celebrando o disco de estreia em shows comemorativos e destacando a circulação das suas músicas entre outras pessoas como parte central da carreira. No show de Marina, essa circulação teve caráter simbólico: uma canção de Céu ajudou a formar “Por Supuesto”, que anos depois voltou ao mesmo palco imediatamente após “Varanda Suspensa”, agora cantada pelas duas.
Além da participação de Céu, o show de Marina incorporou referências ao Norte de Minas, região onde a cantora nasceu, e trouxe estreia ao vivo de “Taiobeiras (Folha Grande)”, homenagem à sua cidade natal. O set também contou com a participação de Luís Lozano, vocalista do Çantamarta, em “Doçura”, e passou por faixas como “Numa Ilha”, “Coisas Naturais”, “Carta de Maria”, “Ouro de Tolo”, “Voltei Pra Mim”, “Mágico”, “Lua Cheia”, “Carnaval” e “Desmitificar”.
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