Após mais de duas décadas, Messi se despede da Albiceleste com recordes e o título que faltava. A trajetória teve críticas, derrotas e até uma aposentadoria anunciada antes da consagração.
A história de Lionel Messi com a seleção argentina vai muito além dos títulos. Entre cobranças, derrotas dolorosas, críticas e até uma aposentadoria anunciada, o craque construiu uma trajetória de mais de duas décadas até se tornar campeão mundial e um dos maiores ídolos da Albiceleste. Aos 39 anos, ele encerrou seu ciclo internacional como maior artilheiro e jogador que mais vestiu a camisa da Argentina.
Tudo começou antes da seleção principal. Nascido em Rosario, Messi deixou a Argentina ainda adolescente para seguir carreira no Barcelona. A possibilidade de defender a Espanha fez a Associação do Futebol Argentino se movimentar para garantir que a joia vestisse a camisa albiceleste.
Em 2004, a AFA organizou uma partida da seleção Sub-20 contra o Paraguai para que Messi pudesse representar oficialmente a Argentina nas categorias de base. No ano seguinte, o atacante conquistou o Mundial Sub-20, disputado na Holanda, como protagonista: marcou dois gols na final contra a Nigéria, vencida pelos argentinos por 2 a 1.
A estreia pela equipe principal aconteceu em 17 de agosto de 2005, contra a Hungria. E não poderia ter sido mais inusitada. Messi entrou no segundo tempo e foi expulso apenas 47 segundos depois, após atingir um adversário que o segurava. O jovem deixou o campo chorando e viveu um primeiro capítulo difícil justamente com a camisa que, anos depois, carregaria como capitão.
O primeiro grande título veio em Pequim. Antes de conquistar troféus com a seleção principal, Messi voltou a celebrar com a Argentina nos Jogos Olímpicos de 2008. Em Pequim, o atacante integrou a equipe que conquistou a medalha de ouro. Na decisão, a Argentina venceu a Nigéria por 1 a 0, com gol de Ángel Di María.
O ouro olímpico, porém, não resolveu a relação complicada que Messi ainda teria com parte da torcida argentina. À medida que se transformava em protagonista do Barcelona, Messi também passou a carregar uma expectativa cada vez maior na seleção. A comparação com Diego Maradona se tornou inevitável, e o sucesso no clube nem sempre se traduziu em títulos pela Argentina.
Messi disputou a final da Copa América de 2007, mas a equipe perdeu para o Brasil. Anos depois, vieram algumas das derrotas mais dolorosas da carreira: na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, a Argentina chegou à decisão, mas perdeu para a Alemanha na prorrogação; em 2015 e em 2016 a seleção foi derrotada pelo Chile na final da Copa América, com a última decisão novamente definida nos pênaltis, totalizando três finais perdidas em sequência.
Depois da derrota para o Chile em 2016, Messi anunciou que estava deixando a seleção argentina. A decisão, entretanto, não durou muito. Messi retornou à Albiceleste e seguiu tentando conquistar o título que faltava em sua carreira internacional.
A virada definitiva aconteceu na Copa América de 2021. Depois de 28 anos sem conquistar um título com a seleção principal, a Argentina chegou à decisão contra o Brasil, no Maracanã, e venceu por 1 a 0, com gol de Ángel Di María. Menos de um ano depois, na Finalíssima de 2022, a Argentina venceu a Itália por 3 a 0 em Wembley.
No Catar, a conquista que faltava finalmente chegou. A campanha da Argentina teve início com uma derrota para a Arábia Saudita, mas a equipe reagiu e avançou até a decisão. Na final, contra a França, Messi marcou duas vezes; a partida terminou empatada por 3 a 3 após a prorrogação, e a Argentina venceu nos pênaltis. Messi finalmente era campeão mundial.


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