Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Pular para o conteúdo
Notícias

Mulheres criam redes para ampliar participação na Justiça

Debatedoras defendem redes de apoio entre mulheres para combater machismo, desinformação e ampliar participação feminina no Judiciário.

06/11/2026 · 07h30
Mulheres criam redes para ampliar participação na Justiça

Em Brasília, conferência pediu redes de apoio entre mulheres para enfrentar o machismo e ampliar a participação feminina. Comunicadores foram convocados a combater mensagens misóginas e desinformação.

Na conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada até sexta-feira (6) em Brasília, comunicadoras defenderam a articulação de redes de apoio entre mulheres como estratégia para combater o machismo e ampliar a participação feminina nos espaços de poder. O evento promove debates sobre uma justiça mais igualitária no Brasil.

Publicidade

Segundo as participantes, os profissionais que trabalham com produção de informação também devem atuar no combate a mensagens misóginas e à desinformação. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, contextualizou hoje (5), em mesa de debates, que a união feminina foi capaz de grandes feitos históricos, citando as conquistas garantidas pelas parlamentares que participaram do que ficou conhecido como “lobby do batom”.

“Um grupo que se organizou para agir politicamente. O resultado do que elas fizeram foi absolutamente extraordinário porque boa parte dos direitos que nós temos até hoje foi garantido por essas poucas mulheres.”

O episódio referido foi uma aliança suprapartidária formada por deputadas federais e senadoras durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, lembraram os debatedores.

Antonia Pellegrino também citou projeções sobre nomeações no Judiciário: pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, o que abriria possibilidade para maior presença feminina nas cortes. Nesse sentido, defendeu o fortalecimento das profissionais da área.

“Trabalhar em rede é algo que nós, mulheres, sabemos fazer há séculos. Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência.”

As participantes apontaram que atuar em redes de apoio é, ainda, uma ferramenta para enfrentar a desinformação, que se apresenta no Brasil e no mundo por meio de estratégias articuladas por grupos radicais. Também foi ressaltado que a comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas.

A advogada e influenciadora Sara Gabriela, criadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, afirmou ser necessário reconhecer o machismo como elemento cultural a ser enfrentado. Ela defende que o ordenamento jurídico brasileiro é avançado, mas que é preciso agir com objetividade e informações concretas para atacar a misoginia.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

“Eu entendo que a informação não deve ser suavizada.”

O projeto coordenado por Sara nasceu em 2019 a partir do atendimento a vítimas de violência em comunidades do Estado de Goiás, segundo relato dela, e serve como exemplo de comunicação voltada à mudança cultural.

A advogada e influenciadora Miriane Ferreira, que produz conteúdo jurídico voltado para mulheres, lembrou que muitas deixam de reivindicar direitos patrimoniais após a separação por não terem exercido atividade remunerada fora de casa, apesar de terem contribuído com trabalho doméstico e cuidado familiar.

Publicidade

“Recomendo também saber o direito fundamental e saber também da sua força do seu trabalho. As mulheres precisam dessa solidariedade uma das outras para mostrar o poder que têm. Nós mulheres somos muito desacreditadas.”

Mayra Cotta, outra participante, destacou a necessidade de redes para ocupação de espaços de poder e criticou o tratamento dado a denúncias no Judiciário.

“As mulheres estão denunciando mais (as violações que são vítimas), mas estão sendo massacradas pelo Judiciário.”

“Tem juízes passando pano para assediadores e abusadores todos os dias.”

Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, afirmou que a mobilização inclui estímulo à participação eleitoral e apoio mútuo entre mulheres fora e dentro dos espaços de poder. A cineasta Fernanda Amim acrescentou que a abertura de espaços por meio de narrativas e histórias também é prioridade, citando seu trabalho sobre racismo estrutural e falhas do sistema de justiça criminal.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
4 min de leitura

Em Brasília, conferência pediu redes de apoio entre mulheres para enfrentar o machismo e ampliar a participação feminina. Comunicadores foram convocados a combater mensagens misóginas e desinformação.

Na conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada até sexta-feira (6) em Brasília, comunicadoras defenderam a articulação de redes de apoio entre mulheres como estratégia para combater o machismo e ampliar a participação feminina nos espaços de poder. O evento promove debates sobre uma justiça mais igualitária no Brasil.

Segundo as participantes, os profissionais que trabalham com produção de informação também devem atuar no combate a mensagens misóginas e à desinformação. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, contextualizou hoje (5), em mesa de debates, que a união feminina foi capaz de grandes feitos históricos, citando as conquistas garantidas pelas parlamentares que participaram do que ficou conhecido como “lobby do batom”.

“Um grupo que se organizou para agir politicamente. O resultado do que elas fizeram foi absolutamente extraordinário porque boa parte dos direitos que nós temos até hoje foi garantido por essas poucas mulheres.”

O episódio referido foi uma aliança suprapartidária formada por deputadas federais e senadoras durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, lembraram os debatedores.

Antonia Pellegrino também citou projeções sobre nomeações no Judiciário: pelo menos 40% dos cargos vitalícios serão nomeados na próxima década, o que abriria possibilidade para maior presença feminina nas cortes. Nesse sentido, defendeu o fortalecimento das profissionais da área.

“Trabalhar em rede é algo que nós, mulheres, sabemos fazer há séculos. Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência.”

As participantes apontaram que atuar em redes de apoio é, ainda, uma ferramenta para enfrentar a desinformação, que se apresenta no Brasil e no mundo por meio de estratégias articuladas por grupos radicais. Também foi ressaltado que a comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas.

A advogada e influenciadora Sara Gabriela, criadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, afirmou ser necessário reconhecer o machismo como elemento cultural a ser enfrentado. Ela defende que o ordenamento jurídico brasileiro é avançado, mas que é preciso agir com objetividade e informações concretas para atacar a misoginia.

“Eu entendo que a informação não deve ser suavizada.”

O projeto coordenado por Sara nasceu em 2019 a partir do atendimento a vítimas de violência em comunidades do Estado de Goiás, segundo relato dela, e serve como exemplo de comunicação voltada à mudança cultural.

A advogada e influenciadora Miriane Ferreira, que produz conteúdo jurídico voltado para mulheres, lembrou que muitas deixam de reivindicar direitos patrimoniais após a separação por não terem exercido atividade remunerada fora de casa, apesar de terem contribuído com trabalho doméstico e cuidado familiar.

“Recomendo também saber o direito fundamental e saber também da sua força do seu trabalho. As mulheres precisam dessa solidariedade uma das outras para mostrar o poder que têm. Nós mulheres somos muito desacreditadas.”

Mayra Cotta, outra participante, destacou a necessidade de redes para ocupação de espaços de poder e criticou o tratamento dado a denúncias no Judiciário.

“As mulheres estão denunciando mais (as violações que são vítimas), mas estão sendo massacradas pelo Judiciário.”

“Tem juízes passando pano para assediadores e abusadores todos os dias.”

Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, afirmou que a mobilização inclui estímulo à participação eleitoral e apoio mútuo entre mulheres fora e dentro dos espaços de poder. A cineasta Fernanda Amim acrescentou que a abertura de espaços por meio de narrativas e histórias também é prioridade, citando seu trabalho sobre racismo estrutural e falhas do sistema de justiça criminal.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA