A universidade e a defesa da democracia ( por Eder Mateus de Souza )

Redação, 16 de Junho, 2020 - Atualizado em 17 de Junho, 2020


Estamos enfrentando uma grave problema em nossa Universidade Federal de Sergipe – UFS. Em tempos em que a bandeira da democracia deve ser fortalecida, não imaginava que a ameaça viria de dentro da UFS. O atual reitor convocou o Colégio Eleitoral e decidiu que no dia 15 de julho será escolhido o próximo Reitor da UFS, desconsiderando o processo democrático da consulta pública organizada pelas entidades que está em curso, suspensa temporariamente por conta da pandemia no dia 16 de março, ressaltando que a consulta aconteceria três dias após.

Vale destacar, que a consulta é feita por meio de edital, cumpre prazos e diretrizes votadas em assembleia com toda a comunidade universitária e os candidatos precisam apresentar propostas para temas fundamentais que tratam do funcionamento da universidade. No entanto, o reitor tenta emplacar um candidato que não está inscrito no pleito, não apresentou propostas à comunidade e não se colocou ao debate de ideias. Será que é justo dar uma carta Branca a alguém que não apresentou proposta para discussão? Será que é justo não ouvir a comunidade acadêmica (alunos, técnicos e professores) e que ela não possa escolher diante dos projetos apresentados?

A consulta pública tem sido realizada desde 1984 e, respeitando a decisão tomada pela comunidade acadêmica, o Colégio eleitoral sempre indicou o primeiro colocado da consulta. O próprio Reitor já foi eleito quatro vezes (duas como Vice Reitor e duas como Reitor) respeitando esse ritual. Diante disso, por que apressar a eleição no Colégio Eleitoral para o dia 15 de julho sem ouvir a comunidade, se ela pode acontecer até meados de setembro? Até lá provavelmente teremos uma solução proposta pelas entidades para finalizar o processo.

Convocar as eleições no conselho para 15 de julho sem ouvir a comunidade universitária, tentar emplacar um candidato que nunca foi eleito para cargos na UFS e não apresentou propostas, é uma atitude que não respeita os ritmos democráticos conquistados pelas universidades após a ditadura.

No papel de professor da Universidade Federal de Sergipe, acredito que me calar diante desses acontecimentos seria ser conivente com ações que ferem a democracia.




Eder Mateus de Souza
Professor Associado do Departamento de Matemática – Campus Professor Alberto Carvalho Ex - Diretor do Campus Professor Alberto Carvalho ( 2012 -2016) eleito por consulta pública.

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