CEM ANOS DO CENSO AGROPECUÁRIO BRASILEIRO por Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 24 de Dezembro , 2020 - Atualizado em 24 de Dezembro, 2020

O Ministério da Agricultura – MAPA, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, comemoram recentemente os “Cem anos do primeiro censo agropecuário brasileiro de 1920”. Um grande feito para um pais de dimensões continentais. Poucos países do mundo enfrentam um desafio de similar grandeza. A complexa e competitiva produção agropecuária brasileira está lastreada em informações e inovações tecnológicas. A revolução científica do século XVI, “modificou o destino da humanidade e da vida na Terra”.

O censo agropecuário, elaborado a cada dez anos desde o ano de 1920, com apenas uma interrupção em cem anos. O Censo Agropecuário de 2017 atualiza o censo de 2006. Consumiu uma soma milionária de reais e mobilizou centenas de recenseadores. Visitou em números redondos sete milhões e quinhentos mil endereços. Desses, cinco milhões e setenta e três mil foram identificados como estabelecimentos agropecuários ou unidades rurais de produção agropecuária, florestal ou aquícola, com uma produtividade média de setenta hectares. Informações com precisões censitárias. Não se trata de uma amostragem representativa, mas a totalidade do universo das propriedades rurais. Uma ferramenta para entender a agropecuária brasileira. “Os censos retratam um momento, um instante de um passado recente que, se bem analisado, subsidiará melhor o futuro”. Um qualificado instrumento de avaliação das políticas públicas na agropecuária no lapso temporal de dez anos.  

O Censo Agropecuário mostrou que no período de 1970 a 2017 a agropecuária brasileira cresceu em média 3,2% ao ano. Produtividade superior à mundial. A produção de grãos aumentou em 95%. As regiões Norte e Centro-Oeste conduziram o expressivo crescimento. Identificou que a inovação tecnológica foi decisiva nessa performance, respondendo com 60% do aumento da produtividade. Embora, apenas 20% dos estabelecimentos rurais receberam assistência técnica especializada. O uso de tratores, saltou de 1.706 unidades para 1,2 milhão de máquinas. O rebanho bovino multiplicou por cinco, chegando a 172 milhões de cabeças. As lavouras ocuparam 7,5% do território nacional e, juntamente às pastagens, representaram 26,2% da área total. A agricultura familiar responsável por abastecer em torno de 25% dos alimentos básicos dos brasileiros e brasileiras, carece de políticas públicas para potencializar a produção e a produtividade das lavouras e criações.

O celebrado centenário do Censo Agropecuário, foi marcado com o lançamento do livro “Uma Jornada pelos Contrastes do Brasil: cem anos do Censo Agropecuário”. Escrito por sessenta e quatro pesquisadores de organizações de pesquisa, assistência técnica, ensino e fomento à produção agropecuária. Todos qualificados e com experiências profissionais. Entre os autores, destaque para o único da região Nordeste, o engenheiro agrônomo Amílcar Bairdi, professor da antiga Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia- UFBA, atual Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB, com o artigo “Solução produtiva para o Nordeste”.  

O censo na sua universalidade metodológica, identificou também a parte dolorosa do meio rural brasileiro. A desigualdade social, com mais afronta no Nordeste rural.  O Índice de Gini - IG que mensura a desigualdade de renda e varia de 0 a 1, onde 1 significa a absoluta desigualdade, ou seja a riqueza está concentrada em um única pessoa. No caso brasileiro o IG = 0,85, uma alta concentração de riqueza em poucas mãos. Uma apartheid entre endinheirados e miseráveis. Os que muito possuem e os que nada tem. Realidade que inviabiliza qualquer projeto de desenvolvimento nacional na perspectiva de universalizar os valores elementares da civilização. Que no vindouro Censo Agropecuário de 2027, a produção agropecuária continue pujante para exportar e alimentar o povo brasileiro, a fome esteja fora do nosso mapa e o meio ambiente livre de externalidades. Parabéns ao MAPA, ao IBGE e ao IPEA pela merecida comemoração.

Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo

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