Estreia nos cinemas longa-metragem sobre cotidiano dos alunos do Milton Dortas, em Simão Dias

O filme “Atravessa a vida” faz um retrato afetivo dos alunos, protagonistas do documentário, na preparação para o Enem

Redação, 13 de Janeiro , 2021

O longa-metragem “Atravessa a vida”, produzido pelo cineasta João Jardim, começará a ser exibido nos cinemas em diversos estados do Brasil a partir da próxima quinta-feira (14). O filme faz um retrato afetivo dos alunos do Centro de Excelência Milton Dortas, em Simão Dias, na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os alunos são os protagonistas do documentário, que teve o trailer divulgado no início de setembro de 2020, selecionado para duas sessões no Festival “É Tudo Verdade”.

Produzido em 2018, o longa-metragem acompanha a rotina e os desafios dos estudantes no último ano do ensino médio no Centro de Excelência Milton Dortas, região Centro-Sul sergipana. Durante três meses, a equipe do cineasta acompanhou os alunos de 11 turmas do 3º ano do Ensino Médio durante a preparação para o Enem, principal porta de acesso à universidade. Foram cerca de 60 horas de filmagens somente no Centro de Excelência Milton Dortas. "Não é um filme jornalístico, mas afetivo", disse o diretor para o jornal Folha de São Paulo.

A produção retrata o universo escolar e adolescente dos jovens de Simão Dias. Enquanto buscam o sonho de garantir um ensino superior gratuito, os alunos refletem sobre temas como futuro, depressão, aborto, pena de morte e ditadura militar. O documentário mostra ainda as angústias e os prazeres da juventude por meio de seus gestos, inquietações e conquistas. Para assistir ao trailer é só clicar no link: https://youtu.be/tnajWG7Cs4I.

Segundo a professora Daniela Silva, atual diretora da Regional de Educação 2 (DRE 2), e que era a gestora da unidade de ensino na época, o filme representa um sentimento muito especial para a comunidade escolar, por mostrar a qualidade de ensino desenvolvida pela escola e professores, além do protagonismo dos estudantes. “Estamos muito emocionados com o lançamento, e para mim, que fui gestora da unidade, esse resultado é muito significativo pelo fato de evidenciar as boas ações e a excelência do trabalho que foi e continua sendo feito pelo Milton Dortas, instituição reconhecida nacionalmente", declarou.

Ela explica que, para além da preparação para o Enem, o documentário também retrata a transição do Ensino Médio para a Universidade, a vida fora da escola, as angústias e problemáticas fora da escola, como alunos com depressão, problemas com a família, entre outras. “O longa-metragem mostra um jovem sensível, com opinião própria, uma escola com liberdade de expressão, o professor que aproveita o pensamento do aluno para a construção do conhecimento, e todas as incertezas dos alunos”.

O documentário ainda conta com um desfecho, já que o cineasta João Martins retornou a Sergipe alguns meses depois para acompanhar o que aconteceu com esses alunos já na vida universitária e também fora da universidade.

Retrato da época

Alguns jovens que participaram do documentário destacam que o longa é um bom retrato das suas vidas naquela época. Foi o caso de Milena Andrade dos Santos Lima, 19 anos, que na época estudava no Milton Dortas. “O documentário foi muito importante porque no 3º ano do ensino médio há muita pressão para passar no Enem. E muitos estudantes tinham vidas totalmente diferentes. Nem todos tinham estrutura em casa para continuar os estudos. Penso que o longa-metragem retrata bem as diferenças entre os jovens”, disse ela, que na época passou para o curso de Nutrição na UFS, e hoje cursa Odontologia em uma faculdade na cidade de Paripiranga (AL), que é mais próxima de Simão Dias.

Quem também gostou de ter participado foi Flávia de Jesus Ribeiro, que na época passou para o curso de Fisioterapia, mas no semestre seguinte mudou para Farmácia. “A proposta do documentário foi bem interessante para a gente porque, naquele momento de turbulências, incertezas, dúvidas e medo do que estava por vir, nós tivemos o doce saber de que as nossas experiências ali vividas seriam marcadas no tempo; que nós teríamos a comprovação do que vivemos. Foi muito interessante participar”, declarou.

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