Afetadas pela crise, indústrias têxtil e de polímeros podem recorrer à recuperação judicial para se reestruturar

MODA NO VERMELHO

Redação, 09 de Junho , 2021

Com o advento dos novos tempos e hábitos, muitos setores da indústria sentiram o forte impacto das consequências da pandemia de Covid-19. Esse foi o caso, por exemplo, das indústrias têxtil e de polímeros. Isso acontece porque, além da intensificação da crise econômica, o comportamento dos consumidores e as demandas também mudaram. Lockdown, home office, marketplace, entre outras palavras-chave dos novos dias, mudaram por completo a forma de consumo das pessoas.

No setor de fabricação de roupas, por exemplo, os números industriais foram duramente afetados, bem como houve redução no faturamento, além de queda da margem e escassez de matéria-prima. Em setembro de 2020, por exemplo, a área têxtil enfrentou uma alta considerável do valor do algodão, encarecendo ainda mais os processos. O setor, que paralisou logo no início da pandemia, voltou a sentir uma forte demanda em meados de julho, o que levou os empresários a buscar matéria-prima em um momento de preços altos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas de vestuários, tecidos e calçados subiram 25,2% no mesmo mês, comparado a julho de 2020. 

Douglas Duek, CEO da Quist Investimentos, que presta serviços de consultoria em reestruturação de empresas e recuperação judicial, aponta que um caminho possível para essas indústrias, que não conseguiram manter as contas, é justamente a RJ. “Tratando-se de setores tão expressivos da economia, vale a pena recorrer ao procedimento para tomar fôlego, negociar dívidas, manter empregos e dar continuidade em uma forte cadeia produtiva”, completa.

Outros fatores explicam a falta de insumos, como a alta da exportação. Com o dólar a mais de R$ 5 e a desvalorização do real, ficou mais vantajoso vender para fora do país. Segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o aumento nas vendas externas foi de 19,8% nos quatro primeiros meses do ano. Já no setor de polímeros, houve uma ressignificação do uso de plástico, outro impacto da pandemia. A explosão do e-commerce, utilizada como alternativa por um lado, rompeu com o marketing das embalagens que funcionavam como diferencial de compra, do outro. Além disso, o receio de contaminação por meio delas, principalmente no início da pandemia, modificou o consumo.

Ainda assim, o Estudo Abre Macroeconômico da Embalagem, produzido pela FGV para a Associação Brasileira de Embalagem (Abre), projeta um crescimento de 4,4% a 5,9%, comparado a 2020, na produção de embalagens. No entanto, existem desafios que se avizinham, como manter a margem mesmo com a disparada do dólar, principalmente no que diz respeito à compra matérias-primas como petróleo e celulose.

Em um momento de crise, muitas empresas que enfrentam acúmulo de dívidas, não recorrem à recuperação judicial a tempo, por não entender que pode ser uma solução viável, explica Duek. Esses dois setores, por exemplo, são muito importantes para o país e, nos casos mais agudos, devem levar em consideração a oportunidade de buscar soerguimento por meio da RJ.

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