Médico cardiologista José Alencar explica morte súbita do jogador Christian Eriksen e como ela foi “abortada”

O rápido atendimento foi fundamental para que o jogador dinamarquês sobrevivesse

Redação, 15 de Junho , 2021

Tecnicamente, dá para dizer que o jogador dinamarquês Christian Eriksen, de 29 anos, chegou a “morrer” em campo no jogo do último sábado pela Eurocopa, entre Dinamarca e Finlândia. É o que explica o cardiologista e eletrofisiologista José Alencar, autor do livro Manual de Medicina Baseada em Evidências e professor da Sanar. “Ele não teve uma convulsão. O que ocorreu foi uma morte súbita. E, devido ao rápido atendimento, essa morte súbita foi "abortada”, aponta.


Segundo o especialista, a morte súbita é aquela inesperada, que ocorre até 1 hora após o início dos sintomas, e que no caso de Eriksen foi instantâneo. Os números mostram que 13% das pessoas morrem subitamente e 50% das pessoas que morrem do coração estão nessas circunstâncias. No esporte, ocorre 0,5-2,1 morte súbita por 100 mil pessoas/ano, o que aponta que a ocorrência com o jogador da Inter de Milão e da seleção da Dinamarca é bem rara.


Vale destacar ainda a importância dos desfibriladores no atendimento de pessoas que passam pela experiência de Christian. Um estudo de 1989 do Antoni Bayés de Luna, no American Heart Journal, demonstrou que 84% das mortes súbitas ocorrem em ritmos chocáveis. Por isso a importância do uso de desfibriladores externos automáticos (DEAs). Sem o DEA, os ritmos chocáveis são usualmente fatais. “Quanto mais rápido uma pessoa em morte súbita por ritmo chocável recebe a desfibrilação, melhores as suas chances. A cada minuto sem desfibrilação, a chance de sobreviver cai 10%! É a maior emergência de toda a Medicina”, explica o especialista.


José Alencar completa informando que atualmente a taxa de sobrevivência de um episódio de morte súbita é de 7,6% em países desenvolvidos. Em locais onde há DEA e há treinamento em massa da população para oferecer suporte básico de vida (compressões de qualidade e manuseio correto do DEA), a chance é maior. Em resumo, em casos de morte súbita, vale destacar: O paciente deve ser desfibrilado rapidamente (cada minuto sem desfibrilar reduz em 10% sua chance); deve receber compressões eficazes por pessoas treinadas também rapidamente; deve ir a um cardiologista; pode ter que receber um "cardiodesfibrilador implantável", conhecido como CDI.

José Nunes de Alencar Neto: Cardiologista. Eletrofisiologista intervencionista pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Hospital de Santa Cruz (Lisboa, Portugal). Assistente do serviço de Pronto Socorro do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Coordenador da Pós Graduação em Medicina de Emergência da Sanar. 

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