Apagão das redes sociais gerou perda de 12 mil novos clientes aos bancos

Levantamento da Inflr mostra que cerca de 1,7 milhão de pessoas deixaram de ser impactadas por campanhas de marketing, durante as oito horas fora do ar. Startup analisou o engajamento dos “embaixadores” do mercado financeiro

Redação, 25 de Outubro , 2021

O período em que as redes sociais, Facebook e Instagram, ficaram fora do ar, há duas semanas, causou um grande prejuízo ao sistema financeiro. Dados divulgados pela Inflr, startup de marketing de influência que atua na maximização do alcance de campanhas, incluindo ações com bancos, mostram que cerca de 12 mil contas deixaram de ser abertas durante as 8 horas de ‘apagão’. O levantamento leva em conta os acessos diários de cada campanha e quantos clientes aderem a um banco a partir dela. Cada campanha veiculada tem, em média, 5 milhões de impressões por dia, com taxa de adesão de aproximadamente 0,73%, de acordo com a empresa. “Durante o apagão, estimamos 1,7 milhão de impressões perdidas, ou seja, mais 1 milhão e meio de usuários deixaram de ser impactados”, diz o diretor da Inflr, Thiago Cavalcante.

O prejuízo acontece no momento em que as instituições financeiras que atuam no Brasil estão mais atentas ao alcance e impacto das redes sociais. Nos últimos meses, os bancos iniciaram uma disputa para ver quais deles têm, à frente de suas campanhas, as celebridades e influenciadores digitais mais impactantes, tanto no cenário nacional quanto internacional. O apresentador Luciano Huck se tornou, recentemente, membro do conselho consultivo do Banco Pan, enquanto as atrizes Tata Werneck e Marina Ruy Barbosa foram denominadas embaixadoras dos bancos Next e Safra, respectivamente. Para especialistas em marketing, tais ações demonstram uma preocupação maior dos bancos – especialmente os digitais – em fortalecer suas marcas tornando-as mais humanizadas, colocando pessoas que já possuem grande afinidade com o público para atuar de forma mais intensa dentro das instituições.

Outros três casos recentes chamam a atenção tanto pelo viés que cada campanha adotou, quanto pelo alcance dos influenciadores escolhidos. Um deles é o do C6 Bank. Em comemoração aos 10 milhões de clientes atendidos em dois anos de existência, o banco escolheu a top model Gisele Bündchen como embaixadora da empresa e seus produtos futuros. Em peça veiculada nos diversos canais de comunicação, ela se apresenta de “cara limpa”, fora das passarelas, com um discurso forte pregando transparência e afinidade com os serviços da instituição financeira. Rapidamente surgiram comentários na internet de que a campanha era uma resposta a outro banco digital, o Nubank, que havia anunciado a inclusão da cantora Anitta como membro do Conselho Administrativo da empresa. Tais ações ilustram bem a diferença entre contratar um influenciador digital para campanhas pontuais e fechar parcerias duradouras com os embaixadores das marcas.

Thiago Cavalcante afirma que essa estratégia não só dá mais resultado no quesito alcance, como também é essencial para a reputação de uma empresa. “Com a dedicação maior de um influenciador, a marca ganha a confiança que o consumidor deposita naquela determinada pessoa, principalmente quando se trata de estrelas com reconhecimento internacional. E quanto mais sincera e transparente se mostra essa relação, melhor é o desempenho de uma campanha”, diz.

Fama x Engajamento

Se por um lado a credibilidade que uma figura pública conquistada através do sucesso e reconhecimento é fundamental para que uma empresa escolha seu embaixador, qual o alcance real dessas celebridades? Através de sua plataforma criada para facilitar o fechamento de parcerias entre empresas e influenciadores, a Inflr analisou o Índice de Engajamento dos três nomes de maior apelo entre ações de marketing recentes dos bancos. Além de Gisele Bündchen e Anitta, foi analisado o economista e ex-BBB Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, escolhido pelo Santander para estrelar campanhas pautadas pela diversidade, ponto marcante no discurso do influenciador e que ajuda a consolidar o banco como uma instituição atenta à necessidade de inclusão.

Com mais de 55 milhões de seguidores somente no Instagram, a cantora Anitta possui mais que o dobro de fãs na rede social em comparação com os outros dois embaixadores. Porém, é a que possui menor engajamento, com 1.23%, segundo o Índice INFLR. Gisele Bundchen, que possui pouco mais de 17 milhões e meio de seguidores, apresenta o maior alcance, com média de 3.82%. Já Gilberto Nogueira possui cerca de 3 milhões de seguidores a menos que a supermodelo (14,6 milhões), mas apresenta média próxima de engajamento: 3.03%.

O diretor de tecnologia da Inflr, Tiago Mateus, explica que o índice de engajamento é medido de acordo com a forma que os seguidores interagem com as publicações, seja com curtidas, comentários ou compartilhamentos. O que, de acordo com ele, é o mais importante na hora de definir estratégias de marketing nas redes sociais. “Pegando o exemplo da Anitta, podemos dizer que o alcance dela no Instagram é muito bom, pois se trata de um perfil com um enorme número de seguidores, fora o que ela representa além das redes. Porém, sua média de engajamento mostra que o potencial real da cantora não está sendo devidamente explorado”, afirma.  

Tiago Mateus ressalta, porém, que a entrega considerada baixa não é exceção, e sim regra. “Normalmente, as publicações em redes sociais alcançam apenas cerca de 5% dos seguidores de qualquer conta. Na Inflr, conseguimos maximizar essa entrega para 100% pois observamos que esse padrão se repete principalmente em ações mais genéricas, em que um influenciador cumpriu apenas o papel de divulgar, sem levar em conta o perfil do público alvo e como ele vai receber determinada ação. Esse é outro fator que mostra a importância de se ter um embaixador, pois quanto mais próxima for a relação dele com a marca, mais seu público irá interessar pelo produto apresentado”, diz.
 

 

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