Comidas típicas: nutricionista explica como aproveitar festejos com equilíbrio

As festas juninas são famosas pela fartura de alimentos de alto índice calórico

Redação, 23 de Junho , 2022

O mês de junho começou e, além da temperatura mais baixa e muito forró, as comidas típicas dos festejos juninos são atrações confirmadas para o período. Canjica, pamonha, bolo de macaxeira, bolo de milho, pipoca e amendoim estão entre as guloseimas que, só em pensar, dão água na boca. Estes são alguns dos alimentos que ficam ainda mais presentes na mesa do nordestino. Mas, é possível manter uma refeição saudável e equilibrada com tantos quitutes à disposição?

Nessa época do ano são muito comuns preparações à base de milho, macaxeira, batata-doce, coco, também tem a presença das oleaginosas, como o amendoim e castanha de caju. Embora a base dessas comidas típicas utilize esses alimentos naturais, há a adição de outros ingredientes, como açúcar, sal, óleo e outras gorduras. Segundo Adriana, professora do curso de Nutrição da Estácio, essas combinações são o que acaba aumentando o valor calórico dessas preparações.

A orientação da nutricionista é o equilíbrio. “O primeiro passo é manter uma alimentação equilibrada nesse período com o consumo de frutas, legumes, verduras e se hidratar bastante de preferência com água. Podemos consumir as preparações juninas com moderação e dar preferência aos pratos que tenham uma base mais natural, como o milho cozido ou assado, pipoca caseira, amendoim torrado, cuscuz, batata doce, macaxeira cozida”.

Segundo a nutricionista, é possível fazer substituições nos pratos típicos para melhorar seu valor nutricional. “Podemos trocar o milho enlatado ou mistura pronta pelo milho retirado da espiga para o preparo de bolo de milho e canjica, substituir o leite integral por leite desnatado no preparo de munguzá, reduzir o uso de sal nas preparações e trocar o açúcar refinado pelo açúcar mascavo ou demerara ao preparar canjica, pamonha, pé de moleque, munguzá entre outros. Além disso, é importante comer devagar, mastigar bem os alimentos e respeitar os sinais de fome e saciedade” indica Adriana.

Sobre uma alimentação balanceada, a profissional lembra que o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado e disponibilizado à população pelo Ministério da Saúde, orienta o consumo preferencialmente de alimentos in natura ou minimamente processados.

“Os Alimentos in natura e minimamente processados devem ser a base da nossa alimentação. Os alimentos in natura são aqueles vendidos como foram obtidos direto da natureza, provenientes de plantas ou animais, como frutas, legumes, verduras, carnes e ovos. Já os alimentos minimamente processados passaram por pequenas alterações antes de chegarem aos consumidores, como limpeza, empacotamento, secagem, congelamento e não receberam nenhum outro ingrediente adicional como sal, açúcar, óleos, gorduras ou aditivos durante esse processo”, relata.

Além desse cuidado com a alimentação nos festejos juninos, a profissional destaca que o possível “descontrole” com o consumo pode estar vinculado a comportamentos da rotina diária. Os maus hábitos alimentares são uma preocupação devido aos indicativos de aumento de obesidade entre os brasileiros. Segundo pesquisa, a perspectiva é que até 2030 68% da população brasileira esteja com excesso de peso e 26% com obesidade.

Os dados são do estudo “A Epidemia de Obesidade e as DCNT - Causas, custos e sobrecarga no SUS”, realizado por pesquisadores do Brasil e Chile. A pesquisa também revela que a prevalência do excesso de peso aumentou de 42,6% em 2006 para 55,4% em 2019. Já a obesidade saltou de 11,8% para 20,3% no mesmo período.

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