Qual o maior desafio nas Secretarias Municipais de Educação? Reflexões e ações no período pós-pandemia.

Papo de Pedagogo, 07 de Julho , 2022 - Atualizado em 07 de Julho, 2022

Acreditamos que o maior desafio nesse momento “pós” pandemia, é o aumento das desigualdades na Educação. O Brasil tinha traçado metas ambiciosas quanto ao desenvolvimento da educação, com propostas de fazer com que todas as crianças tivessem o direito de aprender com qualidade, até que o mundo foi pego de surpresa pela covid-19. Atualmente, o número de crianças em situação vulnerável e que não está frequentando a Educação Infantil aumentou substancialmente, e recolocar essas crianças na sala de aula, é sem dúvida, um dos maiores desafios que as Secretarias de Educação terão que enfrentar. Só entende a complexidade desse desafio, quem está mais próximo, pois os números de evasão falam por si só. As crianças precisam ser priorizadas e, se faz necessário que as secretarias de educação realizem estudos neste sentido.

 

 Já no Ensino Fundamental a qualidade do ensino, é um amplo desafio, já que esse é um segmento que sempre teve um avanço muito mais tímido que a Educação Infantil, pois não se trata apenas de conteúdos, mas a forma de como eles são transmitidos. Os municípios precisam estruturar o currículo da Rede Municipal, alinhando à Base Nacional Curricular, com foco em incorporar habilidades e competências do século XXI e tornar os municípios, lideranças no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, alinhado a isso, promover ações que venha a redesenhar a escola, já que o que foi estruturado, pensando, e planejado, já não dialoga mais com o que podemos chamar de “Educação pós-pandemia”.


Os investimentos voltados para Educação precisam e estão sendo reavaliados, já que é evidente a escassez dos recursos.

O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, teve/tem algumas nuances muito engessadas, e ao mesmo tempo ampla, quando se pensa na formação dos professores, na infraestrutura, na autoavaliação do sistema, no Projeto Político Pedagógico – PPP, tudo isso bastante amarrado ao Plano de Ações Articuladas – PAR, onde cada município faz sua própria análise  de necessidades, partindo daí o seu planejamento de investimentos focados nas ações de trabalho para o desenvolvimento da educação, diante das suas realidades, desde as mais precárias às mais desenvolvidas.

O que fazer? Como apoiar as escolas e os professores, para que possam abraçar esse novo momento e acolher os novos alunos?

O primeiro ponto que deve ser repensado, é a Estruturação de um Grupo de Pesquisa - GP em cada secretaria, que estude e entenda a real funcionalidade do Fundo Nacional de Educação – FNDE, do PAR e que foque nos mais diversos e disponíveis editais. Esse GP precisa transmitir para toda equipe gestora, de forma clara e objetiva as nuances desses programas e o impacto de atendê-los de forma correta, para que de uma vez por todas, sejam extintas essas necessidades de liberação de verbas e conhecimentos mais aprofundados de onde buscá-las, para as prefeituras influentes que tem “mãos amigas” dentro do Ministério da Educação. É necessário também verificar as principais despesas e como fazer mais com menos.

Focar na formação continuada – quando o governo muda, ocorre também mudanças no projeto educativo que desconsideram a Formação Continuada como enquanto exigência da LDB 9394/96 que tem por finalidade assegurar aos profissionais da educação o aperfeiçoamento da profissão por meio da intervenção institucional pública (municipal ou estadual). A formação continuada é urgente e necessária e, principalmente, dever superar a mera oferta de artefatos técnicos em detrimento da reflexão, do diálogo e de espaços de troca de experiências. Professores e servidores, precisam de formações técnicas, e também de cursos e treinamentos que contribuam em seu desenvolvimento enquanto seres humanos.

 

Enxergar as novas modalidades de ensino, onde a Educação associada à tecnologia é um caminho sem volta – A tecnologia demudou o setor educacional e ampliou novos horizontes que possibilita enxergar o futuro com uma educação mais dinâmica, inclusiva e conectada. Aulas híbridas, ativas e colaborativas, uso de nuvens, são ferramentas que já fazem parte desse novo momento. É necessário e URGENTE trabalhar os professores para este fim, e esse é sem dúvida um grande desafio que as Secretarias de Educação precisam investir de maneira emergencial, promovendo capacitações para os professores;

 

Investir em manutenção e recursos tecnológicos – segundo pesquisas realizadas pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação – Cetic, entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet Brasil (CGI), mais de 90% das unidades escolares das redes municipais, estaduais e federais do país, carecem de investimentos em tecnologias. E o mais agravante é que após dois anos de ensino remoto, o que já existia anteriormente, está sucateado e em desuso.

 

Dedicar um novo olhar amplo para a infraestrutura – os espaços físicos como sala de aula, biblioteca, quadra de esportes, refeitórios, pátios e os recursos materiais e humanos, precisam ser repensados. É preciso uma disruptura da sala de aula precisa como um ambiente de paredes que a cercam, de uma biblioteca que precisa ser um lugar isolado, tradicional e de pouco acesso, e de espaços esportivos que possibilitem mais participação de pais e comunidade, e que a acessibilidade seja uma prioridade. E é necessário um investimento gradual, mas com meta para conclusão.

 

Reavaliação da Jornada de trabalho e estudos dos professores – os professores da rede municipal se deparam com a falta de respeito e compromisso, já que se voltou a cumprir a maior parte da carga horária de trabalho na escola e, com a falta de profissionais, muitos professores não conseguem cumprir horário de estudos;


Analisar com cautela as salas de aulas superlotadas e o cuidado com a inclusão – pesa a quantidade de crianças por sala de aula, muitas vezes em espaços com pouca ergonomia, e com um número cada vez maior de crianças com necessidades educacionais especiais por sala de aula, o que percebemos é que a inclusão não ocorre de fato;


(Des)Valorização da carreira docente – o cenário atual nos apresenta uma clara desvalorização da carreira do magistério e esse processo de desvalorização reflete no saber e fazer do docente. Infelizmente, muitos professores encontram-se desanimados e até acomodados com a situação que envolve baixos salários, número elevado de alunos por sala, carga horária extensa, multiplicidade de funções e cobranças, problemas de saúde dentre outras questões.


A partir das observações apontadas, o que a sociedade espera de políticos e gestores – afinados com os desafios da educação no momento atual – é que se sensibilizem e passem a mobilizar recursos e profissionais para encarar os principais obstáculos impostos pela conjuntura sócio político-econômica e pelas demandas de saúde física e mental dos servidores da educação.

Se faz necessário refletir e encarar com responsabilidade as dificuldades e os desafios enfrentados na atual conjuntura pós pandêmica e assim, ampliar a capacidade de lidar com eles. Essa reflexão e tomada de consciência pelas secretarias, possibilita a adoção de novos olhares, posturas e práticas a fim de construir uma nova história.

 

É necessário perceber que não adianta discutir ideias de aprendizado, se não houver investimentos tecnológicos nas escolas públicas, se não houver valorização dos professores, atento às suas necessidades, além de capacitá-los com treinamentos e cursos que os preparem verdadeiramente para o novo formato das salas de aulas.

 

Referências: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/pesquisa-93-das-escolas-publicas-sofreram-com-falta-de-tecnologia-na-pandemia/ (acessado em 01/07/2022)

 

                        Dayse Xavier de Santana

 Consultora Educacional e Gestora de Projetos

 

Rita de Cassia Cardoso dos Santos

Mestra em Educação e Coordenadora Pedagógica

 

Ana Maria Plech de Brito

Mestre em Educação e Consultora Educacional


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