SOCIEDADE ANÔNIMA E A INDEPENDÊNCIA QUE CAIU DO CÉU.

JOSÉ DE ALMEIDA BISPO, 08 de Julho , 2023 - Atualizado em 10 de Julho, 2023

Motor básico do capitalismo, na sua vertente produtiva, e esplendidamente bem sucedida no processo civilizatório, e criada pelos holandeses ao fim do século XVII, a empresa de sócios anônimos possibilitou o enriquecimento de um volume muito maior de indivíduos. Trazendo muito mais gente para a roda da fortuna. É imbativelmente o melhor a que se poderia chegar no quesito distribuição de lucros.
Mas o anonimato com que me bato aqui tem outro sentido; muito mais inglório que uma especulativa empresa, que, apesar da natureza mais socializada, ainda é para poucos. É o anonimato que ceifa nomes, realizações, sacrifícios pessoais, ideais, enfim. O anonimato que faz desanimado o lutador, o idealista, aquele que sempre enxerga além do próprio umbigo. Coisa comum nestes nossos tempos de heróis de fumaça, construídos pelo que seu dinheiro pode pagar; e apagados, às vezes em velocidade maior; desde que o dinheiro pare de jorrar para puxa sacos de luxo na imprensa. Ou mesmo quando se torna enjoado, cansado, envelhecido por absoluta falta de substância e excesso de exposição.
Em geral, há um peso descomunal em reconhecer o trabalho alheio. E, como ninguém reconhece o trabalho do outro, todos se transformam numa espécie de zumbis; de olho apenas no próprio umbigo.
A História de Sergipe é repleta desses espertos que, ao desmereceram o próximo, sepultam-se a si mesmos; no máximo obtendo a glória efêmera dos otários.
Recebi hoje um vídeo interessante, patrocinado pelo governo de Sergipe, sobre a respectiva data, 8 de julho, a Emancipação de Sergipe em relação à capitania da Bahia. Muito bem produzido; fiel à História, no conteúdo abordado, mas... carente de informações preciosas.
Fala no vídeo que houve muita carta, muita negociação com D. João VI, mas... quem fez? Quem se expôs, numa sociedade que ainda hoje, parte dela não se acha sergipana; preferindo ser de algo “maior”, ao invés de construir a própria maioridade?
Caiu do céu, essa independência? Quem ao menos mandou as cartas, pediu as audiências com o rei, enfim, quem liderou o processo?
Ou o rei, num porre, e talvez recebendo informações erradas de que uma mera Comarca de Sergipe, tinha se levantado em benefício dele e declarado guerra à rebelada capitania de Pernambuco, resolveu passar o trator por cima do fortíssimo governo baiano, e declarando Sergipe separado da então mais rica e poderosa capitania brasileira.
Sem heróis não há história crível. A história humana é feita por humanos, coordenados por alguém, em qualquer sentido.
Assim, sem personagens sólidos, definidos, fica difícil de se acreditar que realmente a independência se efetivou.

A nenhuma vontade de reconhecimento do trabalho alheio leva a sociedade sergipana a não ter raízes de vera; sem heróis; sem exemplo. Um monte de zumbi, de olho apenas no próprio umbigo (hoje na tela do celular, em 'autoglorificações')


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