TRABALHO ÁNALOGO Á ESCRAVIDÃO por Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 10 de Novembro , 2023 - Atualizado em 10 de Novembro, 2023

 


A escravidão africana no Brasil, na perspectiva de alguns estudos, pode ser qualificada como um holocausto na história da humanidade. Horror registrado, pela longa e malvada escravidão de humanos, apenas por serem negros. Impiedosa exploração de humanos, pelos próprios humanos. Homo sapiens usados e abusados, sem dó e piedade, como máquinas e animais desalmados nomedieval processo produtivo de bens e valores.

Não foram poucos e nem por pouco tempo. Mais de quatro milhões de escravos penaram e morreram, desde a separação como bichos caçados por cães ferozes em suas aldeias; às agruras do transporte dos navios negreiros; até os trabalhos cruéis em solo pátrio. Mancha de sangue dos chicotes dos capitães-do-mato em corpos negros e musculosos, por quase quatro séculos. O Brasil foi o último país das Américas a decretar formalmente a libertação dos escravos, mais por pressões e interesses comerciais externos, e menos pelos próprios nacionais e colonizadores portugueses.

Foram dolorosas as expiações, sob o supostomanto protetor de dogmas religiosos da cristandade.Reis, rainhas, príncipes, princesas e autoridades eclesiásticas perdoaram os algozes e os seuspecados capitais. Artifícios de uma fé lastreada nolucro, na ganância, no poder e no álibi celestial. Feroz acumulação, num modo de produção centrado no escravo negro, como objeto desprezível da espécie humana. Desprezo às máximas de Jesus Cristo, revolucionário de sua época: “amai o próximo, como a si mesmo”.

Passados quase um século meio de sua formal revogação, a escravidão, mantém a sua marca indelével na história brasileira. Ela não foi completamente apagada e nem estão pacificados erecompensados os seus males e ofensas.Evidências não faltam. A ciência, qualifica e quantifica, as provas dessa tragédia. Os descendentes dos escravos brasileiros, estão alojados na classe social subalterna, para alguns cientistas sociais, “a ralé brasileira”. Eles não estão nos engenhos, mas nos extensos latifúndios, nasfavelas, quilombos, e na base da abismal desigualdade social, distantes dos valores elementares da civilização.

A OIT -  Organização Internacional do Trabalho, identificou em 2021, “49.6 milhões de pessoas em situação de escravidão moderna. Isso significa que 1 em cada 150 pessoas vivendo no mundo. Desse total, 28 milhões de pessoas realizavam trabalhos forçados e 22 milhões estavam presas em casamentos forçados”. Formas atualizadas dotrabalho escravo medieval. Em essência carregam adegradação moral do ser humano, em bases ardis e sutis. Restrições de liberdade, agressões àdignidade humana e os direitos humanos.

No Brasil, entre “1995 e 2020, mais de 55 mil pessoas foram resgatadas de condições de trabalho análogas à escravidão no Brasil, segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPRT) do Ministério da Economia”. Trabalho forçado, jornada exaustiva, restrições de ir e vir, servidão por dívidas e condições degradantes de alimentação, transporte, moradia e cuidados com a saúde e segurança. Quiçá um atalho no “jeitinho brasileiro” de escamotear a ferina exploraçãohumana, em tempo de “modernidade líquida”.

Ao final, rogamos que as bênçãos divinas iluminem os corações, mentes e ações de umaNação, onde se diz que “Deus é brasileiro [e] coração do mundo e pátria do evangelho”. Que seja revogada a sentença cristã: “vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão”.

Manoel Moacir Costa Macêdo, é engenheiro agrônomo e advogado.


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