Práticas de letramento racial fortalecem a consciência contra o racismo

Redação, 11 de Novembro , 2023

A conscientização das pessoas contra o racismo e a discriminação, evocado pelo Dia da Consciência Negra, vem ganhando formas e conceitos de educação e enfrentamento. Um deles é o chamado letramento racial, conjunto de práticas pedagógicas que buscam chamar a atenção de cada pessoa e da sociedade sobre a estrutura e do funcionamento do racismo na sociedade, fazendo que elas sejam capazes de reconhecer, criticar e combater atitudes racistas em seu cotidiano. São práticas que passam a ser cada vez mais adotadas por empresas e instituições públicas, como forma de colaborar com o combate ao racismo.

Na última quarta-feira, 8, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, defendeu a adoção do letramento racial nas instituições de ensino, empresas e órgãos da administração pública, como forma de fortalecer a criminalização do racismo e as políticas públicas de promoção da igualdade racial. “Isso é algo que me incomoda muito. Ver que a gente, no país, ainda tem uma parcela da sociedade que, primeiro, acha que cotas é esmola, outra parcela que acha que o racismo é mi-mi-mi, outra parcela acha que não tem que falar sobre igualdade racial nesse país. Eu acho que as punições precisam existir, cada vez mais serem fortalecidas. E eu também acredito que a gente precisa pensar nesse letrar”, disse ela, em entrevista ao Canal Gov. 

O termo letramento é mais associado ao uso e domínio da linguagem na prática social. No caso racial, ele consiste em explicações e orientações sobre conceitos de raça, classes sociais, preconceito, discriminação e desigualdade, entre outros, além de mostrar como o racismo se instituiu no país e na sociedade, privilegiando as pessoas brancas em detrimento das negras e indígenas. Esta tese surgiu ao início da década passada, a partir de estudos e livros da socióloga norte-americana France Winddance Twine, e vem sendo cada vez mais propagado por ativistas e organizações do movimento negro. 

Segundo o professor Eduardo Santiago Pereira, do curso de Direito da Universidade Tiradentes (Unit), o conceito de letramento racial deve ser interpretado como um instrumento composto por variadas ações que, em conjunto, constroem uma percepção do racismo como um mecanismo voltado para a manutenção da hegemonia política e econômica das pessoas brancas. “Assim sendo, falar em Racial Literacy é também discorrer acerca de algumas regras imperativas para se fazer um enfrentamento das questões raciais em nossa sociedade”, acrescenta. 

Ainda de acordo com o professor, cada pessoa passa a ficar mais atenta para situações, comentários e práticas racistas arraigadas ao dia-a-dia, a partir do momento em que ela passa a “ter noção da importância do reconhecimento da branquitude, da atualidade do problema racial, da noção de que as relações sociais são racializadas e aprendidas, como também da importância de se buscar entender como o vernáculo interage e reafirma intensamente um padrão voltado para cercear e estigmatizar um grupo em detrimento do outro”.

Santiago destaca ainda que o processo de letramento racial passa por conhecer bem o significado e a diferença das várias formas com as quais o racismo se apresenta na sociedade. Entre as principais, ele cita o racismo estrutural (referente ao modelo socioeconômico de hierarquia e organização da sociedade), o racismo institucional (que se reproduz no âmbito das instituições públicas e privadas), o racismo recreativo (associado a termos, expressões, brincadeiras e piadas de cunho racista) e o religioso-cultural (associação negativa de manifestações culturais e religiosas de matriz africana). “São perspectivas que representam ações que cada um de nós, em nosso universo particular, teríamos a capacidade de interceder e influenciar”, conclui o professor. 

Asscom Unit

com informações da EBC 


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