VERGONHA NATURALIZADA por Manoel Moacir Costa Macêdo

Redação, 17 de Novembro , 2023 - Atualizado em 17 de Novembro, 2023

 

 

Entre os orgulhos nacionais, realça a produção agrícola brasileira. Safras agrícolas recordes a cada ano. O setor agrícola assume protagonismo na economia nacional e global. Produção atual de trezentos e vinte milhões de grãos e carnes. Excepcional feito. Comida suficiente para alimentar as brasileiras e os brasileiros e exportar os excedentes. Quase uma centena e meia de países e um bilhão de pessoas dependem da comida produzida pelo Brasil.


Cerca de um quarto do PIB - Produto Interno Bruto da nona economia do planeta, isto é, de tudo que é produzido pelo País, advém do setor agrícola. Uma performance sem precedentes. Terra não é mais o fator estratégico dessa realidade, mas, a ciência. Não é requerido para o crescimento da produção agrícola a abertura de novas áreas, o desmatamento de biomas e a extração da biodiversidade, mas o aumento da produtividade agrícola, e a recuperação de áreas degradadas pela tecnologia da ILPF – Integração, lavoura, pecuária e floresta.


Contradições evidentes e persistentes. Comida abundante, fome e insegurança alimentar. Oferta crescente de alimento. Safras recordes a cada ano. Fome de trinta milhões de nacionais e mais de cem milhões em insegurança alimentar. Tudo isso, onde “Deus é brasileiro, coração do mundo e pátria do Evangelho”. Desigualdade entre os que muito têm e os que nada possui.

Destacado articulista, mostrou a naturalizada desigualdade brasileira em 2022. “Entre os 10% mais ricos, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 10.497. Enquanto entre os 10% mais pobres, o mesmo rendimento foi de R$ 365 [...]. A renda do trabalho dos 5% mas pobres (R$ 227 comprava somente 0,3 cesta básica, Já o rendimento da parcela 1% mais rica (R$ 29.198) conseguia adquirir 38,321 cestas”. Afora as diferenças vergonhosas de rendimentos entre os ricos e os pobres, “nos últimos anos, os alimentos subiram de preço devido a uma combinação de fatores, [a exemplo] do desarranjo das cadeias produtivas na pandemia, o impacto da Guerra da Ucrânia sobre as cotações de commodities agrícolas e os problemáticas climáticos no Brasil”.


Contradições postas e conhecidas. Produção de comida e fome. Desigualdade de renda e incapacidade dos pobres em comprar comida. Conhecida e naturalizada conclusão: “o Brasil é um país muito desigual, um dos mais desiguais do mundo”. A nação brasileira, não é pobre, mas injusta e desigual. Acomoda-se no rol das nações do planeta entre as dez nações com maior riqueza. Chegou em passado recente, entre as seis mais ricas.


Soluções imediatas são necessárias. De início, retirar o Brasil do mapa da fome. No curto prazo, não dá guarida a fome, pois como profetizou um lorde inglês, “no longo prazo estaremos mortos”. Ações são requeridas. Políticas públicas compensatórias. Controle da inflação. Oportunidade de emprego. Resultados promissores em curso: “os preços da alimentação no domicílio acumularam queda (deflação) [...], o aumento real do salário mínimo, uma certa recomposição do mercado de trabalho, manifestação de benefícios sociais [...]”.


Ao final, num planeta regido pela mensagem de deuses e numa sociedade onde 90% de seus habitantes, são cristãos declarados nas versões católica, evangélica e espírita, não acolhe as injustiças. A desigualdade social, não está amparada pelos castigos divino, mas como ações humanas dos reencarnados como humanidade. Por tudo isso, é imoral naturalizar a desigualdade e a vergonhosa e persistente fome.


Manoel Moacir Costa Macêdo, é engenheiro agrônomo e advogado.


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