Mutirão de emancipações

Meus parabéns aos 15 municípios sergipanos, criados há exatos a 70 anos.

JOSÉ DE ALMEIDA BISPO, 24 de Novembro , 2023 - Atualizado em 25 de Novembro, 2023

O município é a unidade básica administrativa desde priscas eras.
Das cidades-estados fenícias e gregas, às vilas no Império Romano; o município sempre congregou primariamente as sociedades.
E ser a povoação sede de um município sempre trouxe vantagens. Fosse onde fosse; fosse como fosse. Desde uma esquecida Timgad, nos confins da Argélia, interface do rico e poderoso Império Romano com as areias de deserto do Saara, do século II; ou uma atual opulenta, poderosa e glamourosa Nova Iorque, capital financeira do império anglo-americano, na América do Norte obviamente. Sede municipal sempre é centro primário de uma sociedade.
Cada município, como um indivíduo humano tem a sua história.
Itabaiana, quando quis ser, por volta de 1620, não deixaram; mas quase, noutro local, vira não só sede municipal em 1675, mas uma cidadela; um forte. Desde que nela tivessem encontrado prata.
Estância, evoluiu de rumoroso arraial guerreiro a progressista povoado; mas não teve representação para ser cabeça de município, e, quando esse veio, foi a Santa Luzia que levou a melhor. O artificialismo na criação do município, contudo, nunca beneficiou, nem Santa Luzia, ainda hoje minúscula, nem Estância, que só evoluiu à sede municipal em 1831, 200 anos depois de fundada.
Esse mesmo aspecto do “quem é que manda” na hora de escolher uma sede municipal também prejudicaria Laranjeiras, Propriá, e especialmente Santo Amaro das Brotas. Esta, criada dentro da freguesia de São Gonçalo, se arrastaria até hoje sem muito progresso.
São Gonçalo, a freguesia, migrou da margem esquerda do rio Sergipe, diante do que na outra margem está hoje Riachuelo, para “uma curta temporada” nas colinas onde logo a seguir se assentou Divina Pastora; finalmente se fixando na Missão de Jesus, Maria José do Pé do Banco, hoje Siriri; já Santo Amaro, localizada num sítio estratégico, no alto, há poucos metros de um ancoradouro – teria sido a melhor alternativa para capital - no entanto, nunca desenvolveu. Seu principal motor de coesão social – a matriz paroquial – continuou por quase um século distante, em Siriri, prejudicando sensivelmente ambas as povoações.
Porém, de qualquer sorte, essas povoações lograram algumas vantagens, relativamente às suas vizinhanças.
Vem, pois, da época do Império Romano, ou talvez de antes, a vantagem de se tornar sede municipal. E dessa vantagem alguns saem na frente conseguindo para os seus lugares focos esse status e as mais vantagens, como cofre municipal próprio e o poder de definir onde e como gastar etc., e etc.
Muito desperdício se tem acompanhado nas administrações municipais, inclusive de ordem geoestratégicas e econômicas, com municipóides minúsculos e sem um mínimo de musculatura própria para se manter. Porém, por outro lado vem a indagação: onde estariam esses povoados – e até os demais que passaram a lhes pertencerem – se continuassem como simples povoado das sedes originais?
Será que Carira teria se tornado, ao menos por breve momento o prometedor centro comercial da década de 1960? Malhador teria seguindo a progredir, ou teria sido contaminado pela estagnação de Riachuelo e vizinhança? Monte Alegre de Sergipe, teria hoje a configuração que tem, pertencendo a Nossa Senhora da Glória?
Desconfia-se que boa parte deles somente se tornou sede municipal no intuito de ser transformado num feudo; um curral eleitoral de algum esperto. Contudo, ao se analisar todo o contexto, valeu a pena.
Coincidentemente, no mutirão da criação dos 15 municípios, que ocorreu no governo Arnaldo Garcez, em 25 de novembro de 1953, apenas dois vieram a ser agraciados com rendas padrão Serra Gaúcha (Gramado, Canelas, etc.): Canindé do São Francisco e sua hidrelétrica, e a nova fronteira energética da Barra dos Coqueiros. O restante permanece dentro dos padrões municipais gerais da rotina nacional. Mas são municípios, em geral bem cuidados.
A Constituição de1988, fruto do aprendizado de certo voluntarismo da Constituição de 1946 – a que gerou o líder e matou o homem Euclides Paes Mendonça – e do burocratismo asfixiante de 1967, dito liberal, conseguiu criar pontos de equilíbrio na administração pública, ajudando às administrações municipais, inclusiva lhes podando os excessos que sempre afloram. E o resto? Está previsto nas Disposições Transitórias.
Meus parabéns pelos 70 anos de município a Amparo do São Francisco, Barra dos Coqueiros, Canindé do São Francisco, Carira, Cumbe, Graccho Cardoso, Itabi, Malhada dos Bois, Malhador, Monte Alegre de Sergipe, Pedrinhas, Pinhão, Poço Redondo, Poço Verde e à velha Campinhos, recriada em Umbaúba. Todos emancipados pela Lei 525-A, de 25 de novembro de 1953.


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