Guerra entre Venezuela x Guiana: deixa América do Sul em alerta

Eleitores venezuelanos opinarão sobre a fronteira e a soberania em área rica em recursos naturais

Redação, 02 de Dezembro , 2023 - Atualizado em 02 de Dezembro, 2023

 

Foto: ilustração da ação da Venezuela na Guiana

 

 

Neste domingo (3), os eleitores da Venezuela terão a oportunidade de participar de um referendo que pode redefinir a fronteira do país com sua vizinha, a Guiana, em uma disputa territorial que atravessa séculos.

O referendo envolve cinco perguntas fundamentais para os venezuelanos, todas relacionadas ao comportamento da Venezuela em relação a uma vasta região de 160 mil quilômetros quadrados (km²), situada a oeste do Rio Essequibo. Atualmente, essa área corresponde a cerca de 75% dos 215 mil km² que compõem o território da Guiana.

Essa região é de extrema importância devido à abundância de recursos naturais, incluindo minérios e pedras preciosas. Desde a independência da Guiana, em 1966, a área está sob seu controle. Antes disso, era governada pelo Reino Unido desde meados do século XIX.

Os britânicos fundamentavam sua reivindicação com base em um acordo de 1648, no qual os espanhóis cederam toda a área a leste do Rio Orinoco aos holandeses. Posteriormente, uma parte desse território foi transferida pelos holandeses para o Reino Unido.

A Venezuela, por sua vez, sustenta que a região lhe pertence. Seu argumento se baseia no fato de que o território fazia parte do Império Espanhol, além de citar a presença de religiosos espanhóis na área. Adicionalmente, a Venezuela argumenta que os holandeses nunca ocuparam a porção ocidental do Rio Essequibo. Essa reivindicação remonta ao período anterior à independência venezuelana, quando o país ainda fazia parte da Grã-Colômbia.

Na Venezuela, essa região é conhecida como Guiana Essequiba, ou simplesmente, Essequibo. Nos mapas oficiais do país, ela é listada como "Zona en Reclamación", indicando que se trata de um território reivindicado pelo governo venezuelano.

Sob o controle guianês, Essequibo abrange áreas de seis províncias, sendo que duas delas estão completamente situadas nesse território e três têm a maior parte de suas superfícies abrangidas pela região reivindicada pela Venezuela.

Além disso, a área em disputa inclui uma porção significativa da costa guianesa, onde recentemente foram descobertas vastas reservas de petróleo. A Guiana já iniciou a exploração desses recursos, em parceria com empresas como a norte-americana ExxonMobil e a chinesa CNOOC. Essa descoberta adiciona complexidade à disputa territorial, tornando-a uma questão de interesse internacional.

O referendo deste domingo, portanto, lança luz sobre uma disputa centenária que envolve questões de soberania e o acesso a valiosos recursos naturais, sendo observado de perto não apenas pela Venezuela e a Guiana, mas também pela comunidade internacional. A forma como os eleitores venezuelanos responderão às perguntas pode ter implicações significativas na geopolítica e economia da região.


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