Quarenta e sete anos depois do Pelourinho, o Olodum subiu ao Palco Sunset como convidado dos Gilsons, com Daniela Mercury e Narcizinho. O grupo tocou clássicos, destacou trabalho social e sonhou com parceria internacional.
Quarenta e sete anos depois de nascer no Pelourinho, em Salvador, o Olodum voltou ao Rock in Rio neste sábado (12) como convidado dos Gilsons no Palco Sunset. O encontro reuniu também Daniela Mercury e Narcizinho e funcionou como mais um capítulo de uma trajetória que levou os tambores do grupo para diferentes partes do mundo, sem afastar o trabalho social iniciado na Bahia.
Repertório no festival
Palco Sunset
- Nossa Gente (Avisa Lá)
- Deusa do Amor
- Várias Queixas
- Devagarinho (participação de Daniela Mercury)
- Swing da Cor (versão)
- Faraó
- O Canto da Cidade
- Oyá Por Nós (samba escolhido pela Mangueira para o Carnaval de 2027)
Antes da apresentação, integrantes do Olodum comentaram o encontro entre diferentes gerações da música baiana e destacaram a origem musical compartilhada entre os artistas que dividiram o palco.
“A Bahia é um grande caldeirão cultural. Todo mundo praticamente bebe da mesma fonte. Tem essa água percussiva, tem o dendê, então tem toda essa mistura.”
— Lucas Di Fiori.
A participação em um grande festival também resgatou referências de parcerias que marcaram a história do grupo. Uma das mais conhecidas ocorreu em 1996, quando o Olodum participou da versão brasileira do clipe de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, dirigido por Spike Lee e gravado no Pelourinho e no Morro Dona Marta, no Rio, colaboração que ajudou a projetar internacionalmente o samba-reggae baiano.
Sobre artistas que gostariam de encontrar musicalmente, os integrantes citaram o Black Eyed Peas como uma possibilidade no cenário internacional. Também foram mencionados nomes do Brasil, como Marcelo Falcão e Ponto de Equilíbrio.
Ao fazer o balanço dos 47 anos, a conversa avançou para além dos palcos. Criado em 1979 por moradores do Maciel-Pelourinho como opção de lazer para o Carnaval, o Olodum se transformou em organização que hoje reúne bloco, banda, escola, projetos de memória, editora e outras iniciativas culturais e educacionais.
“A gente não esperava que o Olodum chegasse até aqui. Foi criado para ser uma opção de entretenimento de um lugar e virou gigante.”
— Lazinho, fundador do grupo.
“Acho que a força do trabalho e a seriedade fazem com que você se acostume com o que está acontecendo. A gente espera que o Olodum exista por muito mais 47 anos.”
— Lazinho.
Na definição de Lazinho, a continuidade passa também pela capacidade de registrar uma experiência coletiva.
“Nós somos contadores de histórias. Nós contamos a história do povo de um lugar e as pessoas acreditaram, pararam para nos ouvir.”
— Lazinho.
Parte dessa longevidade é atribuída à Escola Olodum, criada em 1983 e dedicada à formação por meio da arte, da cultura e da educação antirracista. O projeto permaneceu ativo e integra uma estrutura que oferece ações de formação e parcerias educacionais para antigos alunos.
“A gente sabe a importância de ter um corpo social quando isso salva jovens. Na nossa escola tem crianças sendo preparadas melhor do que eu fui. O tempo passa, a gente passa e vêm as crianças. Isso dá longevidade ao Olodum.”
— Lucas Di Fiori.
O repertório no Rock in Rio e as declarações dos integrantes reforçaram a imagem do grupo como projeto cultural e social que conecta gerações e mantém viva a percussão baiana dentro e fora do país.
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