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Brasil

Ondas de calor mataram 50 mil no Brasil em 20 anos

Ondas de calor causaram cerca de 50 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2020, apontam dados do SUS.

16/08/2026 · 11h14
Ondas de calor mataram 50 mil no Brasil em 20 anos

As ondas de calor no Brasil provocaram cerca de 50 mil mortes entre 2000 e 2020, segundo dados do SUS em 14 regiões metropolitanas. A chegada de um novo El Niño pode tornar o fenômeno mais frequente e intenso.

A avaliação é da professora Renata Libonati, do Departamento de Meteorologia da UFRJ, durante o painel “O que esperar do El Niño”, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 2026.

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Um desastre “completamente negligenciado”

Integrante do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da OMM, a pesquisadora afirma que o número, embora expressivo, ainda não recebe a devida atenção.

“Esse número é 20 vezes maior do que o número de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período. Isso significa que as ondas de calor ainda são um desastre completamente negligenciado no nosso país. Não têm o impacto de outros tipos de tragédia, em que as mortes são imediatas. Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados com calor. E não é verdade”, disse.

Calor, seca e fogo caminham juntos

Cientistas apontam que o El Niño, que altera a circulação dos ventos e o clima global, deve resultar em temperaturas excepcionalmente altas em 2026. Renata Libonati apresentou dados que ligam o fenômeno a ondas de calor, secas e incêndios, com aumento das condições para a propagação do fogo.

“Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Temos um contexto de mudança climática com um acoplamento maior entre seca, fogo e ondas de calor”, afirmou.

Efeitos diferentes em cada região

José Marengo, do Cemaden, também participou do painel e ressaltou que os efeitos do El Niño não serão homogêneos no país. No Sul, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas, elevando o risco de enchentes. No Norte e no Nordeste, há tendência de redução das chuvas e aumento do risco de seca.

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No Centro-Oeste, pode ocorrer atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. No Sudeste, a expectativa é de temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas. “O El Niño não cria problemas. Ele agrava a situação de problemas que já existem”, disse Marengo.

Para o pesquisador, os impactos vão além do clima e atingem a produção de alimentos, o transporte, o fornecimento de energia e a economia. “Não vemos o El Niño só como um fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico. É um choque climático que afeta todos esses setores, portanto, tem impacto sobre a vida de todas as pessoas.”

Adaptação climática e desigualdade

Paulo Artaxo, que participou dos últimos relatórios do IPCC, enfatizou a necessidade de o Brasil acelerar a adaptação a um clima com temperaturas mais elevadas e eventos extremos mais frequentes. Ele destacou que o país já registra aquecimento médio próximo de 2 °C acima da média global.

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“A gente tinha que estar mais bem preparado para a chegada de um próximo El Niño, para não repetir sofrimentos iguais aos que tivemos em 2024”, afirmou.

Artaxo ressaltou ainda que a adaptação nas cidades deve considerar as desigualdades sociais, já que os eventos extremos não atingem a população de maneira uniforme. “Esses fenômenos impactam principalmente os mais vulneráveis, os mais pobres”, disse.

Ele citou a diferença entre quem pode usar ar-condicionado durante períodos de calor extremo e moradores de comunidades que vivem em casas com telhados de zinco, expostas a temperaturas elevadas durante a noite. “É responsabilidade nossa cuidar para minimizar esses danos na população. O Brasil é a nona maior economia do planeta. Nós não somos um país pobre. Nós não precisamos nem podemos passar por esses problemas que temos passado por falta de estratégia de adaptação climática.”

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As ondas de calor no Brasil provocaram cerca de 50 mil mortes entre 2000 e 2020, segundo dados do SUS em 14 regiões metropolitanas. A chegada de um novo El Niño pode tornar o fenômeno mais frequente e intenso.

A avaliação é da professora Renata Libonati, do Departamento de Meteorologia da UFRJ, durante o painel “O que esperar do El Niño”, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 2026.

Um desastre “completamente negligenciado”

Integrante do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da OMM, a pesquisadora afirma que o número, embora expressivo, ainda não recebe a devida atenção.

“Esse número é 20 vezes maior do que o número de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período. Isso significa que as ondas de calor ainda são um desastre completamente negligenciado no nosso país. Não têm o impacto de outros tipos de tragédia, em que as mortes são imediatas. Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados com calor. E não é verdade”, disse.

Calor, seca e fogo caminham juntos

Cientistas apontam que o El Niño, que altera a circulação dos ventos e o clima global, deve resultar em temperaturas excepcionalmente altas em 2026. Renata Libonati apresentou dados que ligam o fenômeno a ondas de calor, secas e incêndios, com aumento das condições para a propagação do fogo.

“Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Temos um contexto de mudança climática com um acoplamento maior entre seca, fogo e ondas de calor”, afirmou.

Efeitos diferentes em cada região

José Marengo, do Cemaden, também participou do painel e ressaltou que os efeitos do El Niño não serão homogêneos no país. No Sul, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas, elevando o risco de enchentes. No Norte e no Nordeste, há tendência de redução das chuvas e aumento do risco de seca.

No Centro-Oeste, pode ocorrer atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. No Sudeste, a expectativa é de temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas. “O El Niño não cria problemas. Ele agrava a situação de problemas que já existem”, disse Marengo.

Para o pesquisador, os impactos vão além do clima e atingem a produção de alimentos, o transporte, o fornecimento de energia e a economia. “Não vemos o El Niño só como um fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico. É um choque climático que afeta todos esses setores, portanto, tem impacto sobre a vida de todas as pessoas.”

Adaptação climática e desigualdade

Paulo Artaxo, que participou dos últimos relatórios do IPCC, enfatizou a necessidade de o Brasil acelerar a adaptação a um clima com temperaturas mais elevadas e eventos extremos mais frequentes. Ele destacou que o país já registra aquecimento médio próximo de 2 °C acima da média global.

“A gente tinha que estar mais bem preparado para a chegada de um próximo El Niño, para não repetir sofrimentos iguais aos que tivemos em 2024”, afirmou.

Artaxo ressaltou ainda que a adaptação nas cidades deve considerar as desigualdades sociais, já que os eventos extremos não atingem a população de maneira uniforme. “Esses fenômenos impactam principalmente os mais vulneráveis, os mais pobres”, disse.

Ele citou a diferença entre quem pode usar ar-condicionado durante períodos de calor extremo e moradores de comunidades que vivem em casas com telhados de zinco, expostas a temperaturas elevadas durante a noite. “É responsabilidade nossa cuidar para minimizar esses danos na população. O Brasil é a nona maior economia do planeta. Nós não somos um país pobre. Nós não precisamos nem podemos passar por esses problemas que temos passado por falta de estratégia de adaptação climática.”

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