Lideranças governamentais, representantes de organizações da sociedade civil e pesquisadores se reúnem em Brasília nesta segunda (23) e terça (24) para discutir a constituição de uma rede latino-americana permanente dedicada a garantir a alfabetização na idade adequada — aos 7 anos — por meio de cooperação técnica entre os países.
Na abertura do Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, o ministro interino da Educação e secretário-executivo do ministério, Leonardo Barchini, afirmou que a alfabetização é essencial para enfrentar as consequências históricas da colonização e para romper com o analfabetismo que limita o futuro das pessoas.
Para David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura, o encontro é uma oportunidade regional para priorizar a alfabetização e, se houver continuidade no foco, avançar rapidamente. Segundo ele, com atenção nos próximos cinco a sete anos é possível superar um dos maiores problemas da educação, impactando toda a trajetória escolar e o desenvolvimento dos países.
Modelo brasileiro
Barchini apresentou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) como exemplo: um acordo entre União, estados e municípios com metas para garantir a alfabetização até o fim do 2º ano do ensino fundamental. Em 2024, o índice nacional de crianças alfabetizadas ao final dessa etapa atingiu 59,2%, ligeiramente abaixo da meta de 60% definida pelo CNCA. A meta para 2030 é alcançar ao menos 80% dos alunos alfabetizados ao fim do 2º ano.
O ministro também citou o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) como ferramenta para identificar desigualdades e deficiências por escola, município, região, etnia, raça e tipos de educação, como quilombola e indígena.
Desafios
Barchini ressaltou que, apesar do acesso escolar quase universal no país, persistem desafios para elevar a qualidade do aprendizado, como ausência de bibliotecas em algumas escolas, necessidade de mais creches e a oferta de formação continuada adequada para professores alfabetizadores.
Experiências na região
Representantes de outros países apresentaram iniciativas locais. A ministra da Educação da província do Chaco (Argentina), Sofia Naidenoff, relatou a implementação de um Plano da Jurisdição da Alfabetização que envolveu distribuição de livros — um por aluno — manuais por escola e ações com material para uso em casa, alcançando cerca de 77 mil crianças em 1.283 escolas.

Do México, a diretora-geral de Desenvolvimento Curricular e Política de Educação Inicial, Xóchitl Leticia Moreno Fernández, explicou que o Plano de Estudos de 2022 da Nova Escola Mexicana colocou a comunidade no centro das ações e destacou a produção de materiais para considerar a diversidade de aproximadamente 68 línguas indígenas e originárias durante os processos de alfabetização.
No Peru, o uso de avaliações censitárias e a ênfase em resolver problemas de saúde e violência escolar foram apontados como fatores de avanço, enquanto Luis Guillermo Lescano Sáenz, do Conselho Nacional de Educação do Peru, advertiu sobre a necessidade de transformar a educação em política de Estado, mencionando que o país teve 26 ministros da educação nos últimos 10 anos.
O secretário técnico do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai, Sebastián Valdez, afirmou que a meta é aperfeiçoar políticas e práticas educacionais, lembrando um acordo social do início do século XX para oferecer educação a todas as crianças, embora reconheça limitações orçamentárias.
Alfabetização digital
Barchini também destacou a importância de ampliar a alfabetização digital de professores e alunos, integrando-a à alfabetização tradicional e encarando-a como um processo contínuo ao longo da vida.
O Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro termina nesta terça (24) e é transmitido ao vivo no canal do MEC no YouTube, com tradução simultânea em português, espanhol e Língua Brasileira de Sinais (Libras): canal do MEC.
Com informações de Agência Brasil
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