Relatos de marinheiros que teriam caído ao mar e meses sem escalas em portos preocupam famílias e parlamentares quanto à saúde mental da tripulação. O navio atuava no Oriente Médio; o comando enviou o USS George Washington para substituí-lo.
O porta-aviões USS Abraham Lincoln, que atua no Oriente Médio em apoio às operações dos Estados Unidos na guerra contra o Irã, tornou-se alvo de questionamentos sobre as condições enfrentadas por sua tripulação após relatos de marinheiros que teriam caído no mar. O navio está há meses longe de sua base, sem escalas prolongadas em portos, enquanto familiares de militares e parlamentares levantam preocupações sobre o impacto da missão na saúde mental dos tripulantes.
Diante das denúncias, o Pentágono decidiu substituir o Lincoln pelo porta-aviões USS George Washington. Segundo uma autoridade americana, a troca já estava prevista e não foi necessariamente motivada pelos episódios envolvendo a tripulação.
Dois casos em meses recentes
Nos últimos meses, ocorreram pelo menos duas situações envolvendo integrantes do grupo de ataque do Lincoln. Em agosto, um marinheiro teria pulado no mar a partir do próprio USS Abraham Lincoln, em episódio relacionado à saúde mental. Ele foi rapidamente resgatado e passou por avaliação médica.
Um segundo caso ocorreu em 12 de abril e envolveu um marinheiro do USS Frank E. Petersen Jr., contratorpedeiro que integra o grupo de ataque do Lincoln. O militar caiu no mar, foi resgatado e recebeu atendimento médico a bordo do porta-aviões antes de ser transportado para cuidados adicionais. Não ficou claro se ele caiu acidentalmente ou pulou na água.
Além desses episódios, veículos especializados relataram múltiplas tentativas de integrantes da tripulação de pular no mar, com base em depoimentos de marinheiros e familiares. A principal preocupação é a duração da missão. O Lincoln deixou San Diego em novembro do ano passado e já acumula mais de 250 dias de operação, tendo sido redirecionado para o Oriente Médio para apoiar as ações americanas na guerra contra o Irã. O senador Richard Blumenthal destacou que o porta-aviões transporta cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais e passou mais de 200 dias sem atracar em um porto, recorde moderno de dias consecutivos no mar.
Relatos de marinheiros e familiares apontam que o longo período longe de terra provocou exaustão e agravou problemas de saúde mental entre os integrantes da tripulação. A Marinha, no entanto, contesta a existência de uma crise crescente e afirma que não foi observado aumento de ideação ou de tentativas de suicídio a bordo. A instituição destaca que o navio conta com profissionais religiosos, médicos e especialistas em saúde mental para atender os militares.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, rejeitou os relatos sobre as condições a bordo do Lincoln e afirmou que as informações foram “totalmente distorcidas”. Ele reconheceu que algumas operações são mais longas do que outras, mas exaltou o trabalho dos militares em condições desafiadoras.
O presidente Donald Trump também negou que familiares de militares a bordo do Lincoln estejam preocupados com as condições enfrentadas pela tripulação. Ele confirmou que o navio deixará a região e será substituído pelo USS George Washington, que está a caminho do Oriente Médio após concluir uma visita ao Vietnã em 5 de agosto.
Enquanto parlamentares cobram explicações do Pentágono, as autoridades militares e a Casa Branca negam a existência de uma deterioração generalizada das condições a bordo. A substituição pelo USS George Washington deve encerrar uma das missões mais longas do Lincoln, que permanece no centro do debate sobre os limites impostos às tripulações americanas durante a guerra no Oriente Médio.
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