Atração do Channel 4 foi removida das plataformas após reportagem da BBC que revelou relatos de agressões sexuais durante gravações.
O Channel 4 retirou do seu catálogo todas as temporadas do reality show “Casamento à Primeira Vista” após uma investigação da BBC trazer denúncias de estupro e abuso sexual envolvendo participantes durante as filmagens. A decisão de remover os episódios das plataformas de streaming e dos canais oficiais ocorreu na segunda-feira (18/5).
O que foi relatado
Segundo a reportagem, duas mulheres afirmaram ter sido estupradas enquanto participavam das gravações, e uma terceira denunciou um ato sexual não consensual. As vítimas, conforme os relatos, também reclamaram de negligência por parte da produção, alegando que o programa não teria oferecido proteção adequada para evitar os ataques.
Reações da emissora e da produção
Durante uma audiência parlamentar na terça-feira (19/5), a ex-CEO do Channel 4, Alex Mahon, descreveu as acusações como “muito sérias e preocupantes” e informou que a empresa já havia aberto uma investigação interna em abril sobre o bem-estar do elenco. Mahon disse que, diante da gravidade das alegações, é necessário reavaliar os protocolos de cuidado adotados.
A produtora independente responsável pelo formato, a CPL, respondeu por meio de advogados, afirmando que seus procedimentos de segurança e bem-estar seguem um “padrão ouro” e que a empresa teria atuado de forma adequada nos casos relatados. Os suspeitos mencionados nas denúncias negaram as acusações.
Impacto e investigação externa
O programa, parte de uma franquia internacional em que participantes se conhecem apenas no altar, acumulava dez temporadas e liderou os índices de streaming do Channel 4 ao longo de 2024. A suspensão representa um golpe significativo à rede, que vinha obtendo grande audiência com a atração.

O Ministério da Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido exigiu que as denúncias sejam apuradas com “total cooperação” de todas as partes envolvidas, destacando a importância da segurança na televisão. O Ofcom, órgão regulador de mídia do país, informou que acompanhará de perto os desdobramentos da sindicância iniciada pela emissora.
Se a leitura deste texto despertou lembranças ou sofrimento relacionados a agressões sexuais, procure ajuda. No Brasil, o número de denúncia é 180.
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