Projeto estreia sábado (7) na Farmasi Arena, no Rio, com mostra e apresentação ao vivo que juntam pixo, letras e som. A exposição percorre sua trajetória dos desenhos de infância até a assinatura nas ruas.
Filipe Cavaleiro de Macedo da Silva Faria, conhecido artisticamente como Ret, vai apresentar neste sábado (7) o projeto “Retianismo”, que combina exposição e show na Farmasi Arena, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A proposta tem como eixo a experiência de pertencimento e traça a trajetória do artista desde os desenhos de infância até a pichação, a escrita e a música.
Antes da carreira musical, Ret já assinava muros da cidade com o apelido que viraria marca. O gesto nas paredes foi um primeiro reconhecimento público: a assinatura nas ruas deu ao artista uma forma de existir antes da música.
Cadernos, fotografias e objetos pessoais compõem o arquivo que será mostrado no percurso expositivo, organizado em três salas. A primeira reunirá objetos pessoais e arquivo; a segunda, projeções e recursos audiovisuais; e a terceira, uma loja e informações sobre projetos futuros.
“A pichação foi uma evolução natural dos meus desenhos”
O próprio artista contextualiza a pichação como continuação dos desenhos: começou aos 11 anos, segurando a lata com as duas mãos, num gesto que atribuiu a uma intuição de identidade. A vivência no Catete, as idas à Praia do Flamengo e à Lapa, e a experiência com o funk de baile e os chamados proibidões aparecem como elementos que moldaram sua percepção do espaço urbano e do localismo carioca.
Outra fase apontada por Ret foi a escrita. Em meio a uma crise pessoal e ao uso de medicamentos que, segundo ele, afetaram sua criatividade, o artista criou o blog “Máximas Retianas” para organizar pensamentos e ideias.
“Existia uma confusão mental muito grande. Eu precisava organizar minhas ideias mesmo, colocar em palavras”
O nome Ret, forjado nas ruas, serviu como base para o desenvolvimento do alter ego que o ajudou no processo de recuperação e criação. Desenho, pichação e lírica se reuniram enfim na música, que conserva a atitude das primeiras intervenções e a lírica de sobrevivência presente nas letras.
O percurso expositivo também dialoga com os quatro elementos — água, terra, fogo e ar — e estabelece continuidade com a produção discográfica do artista, atravessando a trilogia “Imaterial” (2021), “Lume” (2022) e “Nume” (2024). A curadoria do projeto é de Ademar Britto, com projeto expográfico do Estúdio Chão, produção da Megadiverso e instalação da ParaRaio.
“Ret foi um chão muito importante pra eu desenvolver, em cima desse alter ego, minhas ideias e ir me curando”
Na Farmasi Arena, onde o artista gravou “FRXV” em 2023, a proposta do evento inclui também uma interação com o público: cada visitante será convidado a responder à pergunta colocada pelo projeto.
“Qual é o seu ismo?”
Filipe Ret no Rio: Serviço
- Evento: “Retianismo” — show e exposição.
- Data: sábado, 7 de novembro de 2026.
- Local: Farmasi Arena, Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
- Horários: abertura às 18h; show às 22h.
- Classificação: 16 anos.
- Ingressos: Ticket360. Há modalidade solidária mediante entrega de 1 kg de alimento não perecível, exceto sal e fubá.
O projeto também prevê a apresentação de um plano para a criação de um instituto na Rua Pedro Américo, no Catete, que por enquanto está em fase de ideia. A mostra e o show prometem mapear a formação artística de Ret e convidar o público a reconhecer as experiências que compõem identidades individuais e coletivas.
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