Comitiva do Sebrae visitou quilombos até Alcântara e conheceu iniciativas que geram renda e preservam a cultura. Em Itamatatiua, Caixeiras de Santa Tereza e artesãs do Centro de Cerâmica mostraram técnicas e memória local.
A rota do empreendedorismo passou pela Baía de São Marcos até Alcântara (MA). Nesta segunda-feira (28), uma comitiva do Sebrae percorreu territórios quilombolas e conheceu iniciativas que transformaram tradição em fonte de renda e preservação cultural.
A primeira parada foi na Comunidade Quilombola de Itamatatiua, onde a delegação foi recebida pelo ritmo das Caixeiras de Santa Tereza. No Museu Quilombola, foram observados espaços dedicados à memória local. No Centro de Produção de Cerâmica, artesãs demonstraram o processo de criação, do preparo da argila à peça finalizada. A acolhida foi conduzida por Neide de Jesus, liderança do território.
“Antes do Sebrae, a gente não tinha quase nada aqui. Depois do Sebrae, a gente já tem muita coisa: esse centro, até esse museu. E tem essas parcerias. É o Sebrae que está junto com a gente.”
A relação entre as artesãs e o Sebrae já passa de 30 anos. A maioria são mulheres quilombolas clientes do Sebrae e beneficiárias do projeto Tambores de Inclusão. O apoio se materializou em reformas e ampliação do Centro de Produção de Artesanato, com novos fornos, tanques e equipamentos para o preparo da argila, além de bancadas, iluminação e áreas organizadas para produção, secagem e exposição. A loja da comunidade foi reestruturada para aumentar a visibilidade das peças.
Foram oferecidas capacitações e consultorias para aprimorar a qualidade e diversificar a produção, com orientações em gestão e sustentabilidade. O barro de Itamatatiua começou a circular em mais vitrines, com presença na Feira do Empreendedor 2026, em São Luís (MA), na Feira Inova Agro, em Pinheiro (MA), e na Feira dos Empreendedores de Alcântara.
Em nota durante a visita, Rodrigo Soares, presidente do Sebrae Nacional, destacou a atuação da instituição em parceria com gestores municipais, estaduais e federais com o objetivo de melhorar o ambiente de negócios local e, a partir daí, gerar mais renda e qualidade de vida.
“O trabalho do Sebrae impacta positivamente comunidades como essa porque elas têm boas lideranças, pessoas que entendem o papel que precisam cumprir na sociedade. O fato de estarmos aqui sempre termina trazendo outros investimentos. Já temos o museu funcionando e preservando a história de vocês, a universidade acompanhando, a nova estrada, a loja como referência e venda pela internet. Tudo vai se entrelaçando: a música sendo resgatada, a cultura sendo valorizada pela juventude.”
No período da tarde, a comitiva visitou o Quilombo Frechal, em Mirinzal (MA). O prédio que simbolizou a luta pela terra foi transformado na primeira Sala do Empreendedor Quilombola do Brasil, resultado de parceria entre Sebrae Maranhão, Prefeitura de Mirinzal e Governo do Estado. O espaço foi apresentado pela agente de desenvolvimento Joselene de Jesus.
“Sou filha do Quilombo Frechal e parceira do Sebrae desde 2011.”
O prefeito de Mirinzal, Deyvison do Posto, ressaltou a importância do equipamento para o legado do território e para o protagonismo local.
“A gente só quer agradecer ao Sebrae por nos prestigiar e trazer essa sala para cá, para sermos a primeira Sala do Empreendedor Quilombola do Brasil. Eu não pensei duas vezes e disse: vamos fazer logo. Para que esse quilombo, que já tem um nome plantado na história deste país, faça mais uma vez uma nova história.”
Um dos momentos simbólicos da visita foi a entrega dos kits do programa Força Mulher. A iniciativa atenderá 20 mulheres do quilombo, que em outubro começam o curso de ofício de doces e salgados. Para Joselene, o programa tem significado que vai além da capacitação, valorizando o papel histórico das mulheres na luta do território.
“A comunidade de Frechal vem de uma luta constante, e quem começou, quem travou e quem traçou os caminhos dessa luta foram as mulheres. Eram elas que decidiam como fazer, como chegar lá. Então, esse programa, para nós, é uma alegria muito grande: dar força para essas mulheres.”
A ação integrou visita técnica, apresentação de espaços de memória e equipamentos de apoio ao empreendedorismo local, com foco em fortalecer cadeias produtivas comunitárias, fomentar vendas e preservar práticas culturais por meio da geração de renda.

LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

