A Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher) apresentou o balanço de iniciativas desenvolvidas desde junho em Aracaju. O órgão, criado pela prefeitura, concentrou esforços na proteção, na valorização e na escuta qualificada das mulheres, somando 406 ações específicas, 117 encontros institucionais e 55 atividades voltadas ao público masculino.
Início das atividades
As primeiras mobilizações ocorreram no Forró Caju, em parceria com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) e a Patrulha Maria da Penha, com reforço à campanha “Não é Não” contra a importunação sexual.
Acolhimento e rede de proteção
Ainda em junho, SerMulher e Secretaria Municipal da Assistência Social acolheram uma mulher em situação de rua vítima de abuso sexual num parque da capital. A assistência envolveu cuidados de saúde e o retorno da vítima à família, no interior de Minas Gerais. No mesmo período, duas adolescentes vítimas de importunação sexual passaram a receber apoio técnico especializado.
Programa SerMulher Escuta
O primeiro encontro do SerMulher Escuta reuniu marisqueiras para mapear demandas e propor políticas públicas. Ao todo, foram nove edições, contemplando mulheres com fibromialgia, negras, ostomizadas, idosas da Instituição Beneficente Emmanuel (Ibem), recicladoras de lixo e mães de crianças atendidas pelo GAAC. Entre as devolutivas já oferecidas estão cursos, aulas de dança, atendimentos individuais e rodas terapêuticas.
Campanhas temáticas
No Agosto Lilás, a secretaria promoveu rodas de conversa internas, distribuiu materiais educativos e realizou intervenções em ruas, unidades de saúde, entidades filantrópicas, transporte coletivo e canteiros de obras. Em setembro, dentro do Setembro Amarelo, foram executadas ações sobre valorização da vida, incluindo autocuidado e rodas de conversa em unidades de saúde. Durante o Outubro Rosa, equipes técnicas visitaram as 45 Unidades de Saúde da Família, entregaram Cartões da Saúde da Mulher e intensificaram a divulgação da Ouvidoria da Mulher.
Ouvidoria da Mulher
Implantada ao final de setembro, a Ouvidoria da Mulher já contabiliza 31 encaminhamentos, funcionando como canal sigiloso para denúncias, solicitações e elogios.
Sala Azul e atendimento a homens
Em 4 de novembro, foi inaugurada a Sala Azul, que tornou permanente o grupo reflexivo para autores de violência doméstica, existente há 14 anos no Tribunal de Justiça de Sergipe. Até dezembro, houve 48 atendimentos individuais, sete encontros semanais e 28 participantes ativos — quatro tiveram as medidas protetivas revogadas após acompanhamento.
Ações em grandes eventos
Equipes da SerMulher reforçaram a campanha “Não é Não” no Pré-Caju, no Festival do Caranguejo, no Dia Nacional do Forró e em festas pré-Réveillon, com distribuição de materiais e tatuagens temporárias.
Empreendedorismo e autonomia financeira
Três cursos do programa Elas Empreendem formaram 52 mulheres, das quais duas já ingressaram no mercado de trabalho. A participação na Feira do Empreendedorismo, em 14 de dezembro, possibilitou a comercialização de produtos confeccionados pelas alunas.
Marco legal
A Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei nº 471/2025, sancionado em 22 de dezembro como Lei nº 6.277/2025, que institui o Dia Municipal da Mulher Empreendedora, a ser celebrado em 19 de novembro.
Indicadores gerais
- Público alcançado: 2.027 mulheres e 48 homens
- SerMulher Escuta: 9 encontros | 370 mulheres ouvidas
- Campanhas: Agosto Lilás (16 ações/185 mulheres), Setembro Amarelo (5 ações/148 mulheres), Outubro Rosa (48 ações/680 mulheres), 21 Dias de Ativismo (11 ações/46 mulheres)
- Atendimentos de cuidado: rodas terapêuticas (8 encontros/137 participantes), acolhimento psicológico (91), social (46), nutricional (23) e jurídico (33)
- Casos acompanhados: 1 abuso sexual, 2 importunações sexuais, 1 agressão de ex-companheiro, 3 feminicídios (acolhimento às famílias) e 1 cárcere privado
Desafios
Segundo a secretaria, o período festivo de fim de ano exige atenção redobrada: dos 13 feminicídios registrados em Sergipe em 2025, quatro ocorreram em Aracaju, três deles nos últimos 11 dias. A SerMulher segue prestando assistência às famílias e sobreviventes, reforçando que denúncia e engajamento social são essenciais para conter a violência.
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