A Secretaria de Estado da Saúde (SES) promoveu, nesta quarta-feira, 4, uma capacitação destinada ao diagnóstico de morte encefálica em Sergipe. A ação foi organizada pela Central Estadual de Transplantes (CET) e pela Organização de Procura de Órgãos (OPO) e teve como público médicos neurologistas, neurocirurgiões, intensivistas e emergencistas das redes pública e privada.
O treinamento seguiu as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), previstas na Resolução nº 2.173, de 15 de dezembro de 2017, que exige capacitação específica comprovada há pelo menos dois anos para os médicos responsáveis pelo diagnóstico de morte encefálica. A iniciativa visa aprimorar protocolos clínicos e os fluxos relacionados à doação e transplante de órgãos no estado.
A programação da capacitação incluiu atividades teóricas e práticas com conteúdos sobre legislação e aspectos legais da morte encefálica, exame físico e avaliação clínica, além de manutenção e cuidados com o potencial doador. No encerramento, os participantes discutiram casos clínicos para reforçar a aplicação prática dos protocolos.
“Este curso é uma exigência do Conselho Federal de Medicina e, cada vez mais, nós temos a participação dos médicos na realização do diagnóstico de morte encefálica. Médicos capacitados contribuem com a otimização do diagnóstico, reduzindo o tempo e melhorando a oferta de órgãos no estado.”
As palavras acima foram proferidas por Benito Fernandez, coordenador da Central Estadual de Transplantes, que relacionou a qualificação profissional ao aumento da eficiência nas rotinas de doação e transplante.
O neurologista Eric Carvalho, que atua no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), ressaltou o objetivo prático do treinamento e a importância do diagnóstico para a gestão de leitos e para o processo de transplante.
“O objetivo do treinamento é capacitar os profissionais para que eles possam fazer uma avaliação correta e concluir o diagnóstico de morte encefálica. Esse diagnóstico é fundamental, pois ajuda tanto na gestão de leitos da unidade, como também no processo do transplante. O paciente que recebeu o diagnóstico de morte encefálica pode ser um potencial doador de órgãos e salvar uma vida através do transplante.”
O protocolo de doação e transplante segue fluxo específico: começa com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, acompanhados pela Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE). Após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica, os familiares são consultados sobre a possibilidade de doação. A autorização pode ser dada pelo cônjuge ou por parentes de até segundo grau, e, com essa concordância, a captação é realizada.
Os órgãos captados são disponibilizados pela Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE) aos pacientes compatíveis, conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes e sob supervisão do Ministério Público. Dados da CET/SE apontam que, de janeiro de 2026 até o momento, Sergipe contabilizou 54 doadores.
A capacitação pretende manter equipes habilitadas e atualizadas, reduzindo o tempo entre a identificação do potencial doador e a confirmação do diagnóstico, além de fortalecer a rede de transplantes no estado.

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