Pequim enviou embarcações às águas a leste de Taiwan enquanto Japão e Filipinas negociam disputas no Pacífico. A movimentação reacende alertas sobre soberania na região.
Pequim tem intensificado a presença de embarcações chinesas nas águas a leste de Taiwan. Nas últimas duas semanas, ocorreram pelo menos duas expedições na região, com o objetivo de reafirmar sua soberania na área, que agora faz parte de um processo de negociação entre Japão e Filipinas.
O contexto dessas movimentações é que os governos do Japão e das Filipinas concordaram, há três semanas, em iniciar discussões sobre disputas fronteiriças no Oceano Pacífico. Embora os dois países não compartilhem uma fronteira direta, ambos têm o direito de projetar uma zona econômica exclusiva que se estende por 200 milhas náuticas (370 km) de suas costas, o que coloca suas zonas muito próximas a Taiwan.
Esse anúncio gerou preocupações tanto em Taiwan quanto na China. O governo da ilha expressou apreensão em relação à delimitação proposta e buscou esclarecimentos junto às autoridades nipônicas e filipinas sobre os detalhes dessas negociações. Por sua vez, Pequim, que considera Taiwan parte integrante de seu território, afirmou que a zona em questão é de soberania chinesa e não aceitará qualquer acordo entre Japão e Filipinas.
“É importante destacar que o Japão e as Filipinas recentemente contornaram a China ao iniciarem as chamadas negociações sobre delimitação marítima, que visam manipular questões no âmbito das zonas econômicas exclusivas”, afirmou o jornal estatal chinês Global Times.
No dia 6 de junho, a China enviou quatro embarcações para o leste de Taiwan como parte de sua estratégia de marcar presença na área. Em 16 de junho, uma nova expedição foi organizada para realizar um levantamento ambiental, com o intuito de “obter uma compreensão completa das condições ecológicas naturais das áreas marítimas sob jurisdição do país”.
A mídia estatal chinesa destacou essas ações como parte do “planejamento espacial territorial das águas a leste de Taiwan”, coincidindo com o momento em que a região entrou nas negociações entre Japão e Filipinas. Essa temporalidade é enfatizada pela própria imprensa chinesa, que vê as iniciativas dos países vizinhos como uma ameaça aos interesses da China.
A aliança entre Japão e Filipinas vai além das discussões sobre zonas de comércio. Nos últimos meses, ambos os governos têm aumentado a cooperação em diversas áreas, especialmente no setor bélico, incluindo a venda de armamentos do Japão para as Filipinas. Após a flexibilização das exportações bélicas pelo governo de Sanae Takaichi, as Filipinas se mostraram interessadas na compra de equipamentos militares.
Um dos negócios em andamento envolve o envio de navios do tipo destroyer e aeronaves TC-90, produzidos pelo Japão, às Filipinas. Essa transação representará a primeira venda de artigos militares do Japão para qualquer país desde que Takaichi assumiu o governo japonês.
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