Lançado em 23 de outubro de 2006, o álbum transforma memórias de Gerard Way numa narrativa sobre morte, infância e identidade. A produção elevou a banda do circuito emo a fenômeno mundial.
Para onde vamos quando morremos? A pergunta abre o universo de The Black Parade, do My Chemical Romance, e remete a memórias que marcaram a formação do vocalista Gerard Way. Gerard imaginava que a morte nos levava de volta a um momento decisivo da vida, como quando o pai o levou à cidade para ver uma banda marcial.
Quando o My Chemical Romance — formado por Gerard Way, o irmão e baixista Mikey Way, os guitarristas Frank Iero e Ray Toro e o baterista Bob Bryar — lançou The Black Parade em 23 de outubro de 2006, a banda era uma promessa do movimento emo que buscava se tornar uma grande força do rock mundial. Eles vinham de turnês em estacionamentos da Warped Tour e de abrir shows em arenas do Green Day. Para suceder Three Cheers for Sweet Revenge (2004), o quinteto se isolou na Paramour Mansion, em Los Angeles, com o produtor Rob Cavallo, para registrar o disco.
Comercialmente, The Black Parade teve estreia forte: vendeu 240 mil cópias na semana de lançamento, mas terminou em segundo lugar na parada Billboard 200, atrás da trilha de Hannah Montana, que somou 281 mil cópias.
Mas nesta semana, duas décadas depois, o My Chemical Romance termina o serviço e chega pela primeira vez ao topo do Billboard 200, na parada com data de 6 de novembro. A edição deluxe de 20 anos de The Black Parade, lançada em 23 de outubro pela Reprise, leva o disco ao primeiro lugar, impulsionada por uma turnê de reencontro que conquistou um exército de novos fãs.
Como forma de revisitar a obra que ficou marcada para muitos fãs, foi elaborado um ranking com as faixas originais do disco e os lados B incluídos no relançamento de 2026. Abaixo, as posições e as descrições das músicas conforme o material compilado.
Ranking de ‘The Black Parade’
- 18. ‘Someone Out There Loves You’ — Lado B gravado ao vivo, único sem versão de estúdio. Encaixa-se no clímax da história do Paciente; trata-se de um apelo contra o suicídio, urgente e direto.
- 17. ‘Heaven Help Us’ — Lado B com riff sinuoso que conduz a um submundo sonoro. Tem potencial em outras bandas da terceira onda do emo, mas, para o My Chemical Romance, é território que o álbum principal explora melhor.
- 16. ‘Kill All Your Friends’ — Lado B que Gerard chegou a dizer em 2013 que deveria ter entrado no álbum. O riff principal lembra os Pixies; o refrão de “ba-ba-ba” equilibra letras sobre enterrar o passado.
- 15. ‘My Way Home Is Through You’ — Música direta que remete ao disco de estreia, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002). Ainda funciona, mas, diante do crescimento artístico da banda, soa um pouco preso ao passado.
- 14. ‘Blood’ — Faixa escondida que fecha o Black Parade original; funciona como alívio cômico autoconsciente após o peso de “Famous Last Words” e vira recurso nas noites de turnê.
- 13. ‘I Don’t Love You’ — Balada de término que revelou a ambição do My Chemical Romance por arenas; teve boa recepção na Europa e evoca arranjos que lembram aberturas de grandes baladas.
- 12. ‘Disenchanted’ — Versão embrionária já tocada desde a era de Three Cheers; entrou no disco no limite e costuma ser executada ao vivo quando o álbum é apresentado do começo ao fim.
- 11. ‘House of Wolves’ — Rock arrasador que, em um disco repleto de momentos maiores, poderia ser ainda mais lembrado caso o grupo não tivesse se lançado em experimentos glam e cabaré nas faixas principais.
- 10. ‘Sleep’ — Gravada em parte na Paramour Mansion, traz terrores noturnos com gravações de voz de Gerard e guitarras maníacas de Toro e Iero que empurram a faixa até o fim.
- 9. ‘Cancer’ — Balada de piano e cordas em que Gerard interpreta o Paciente à beira da morte; versos sobre quimioterapia tornam a música difícil de ouvir, mas também um raro momento emocional no rock.
- 8. ‘The End’ — Introdução essencial de dois minutos que instala a tensão e prepara o álbum para a explosão operística que se segue; versos de abertura são citados entre aberturas de álbum memoráveis.
- 7. ‘Dead!’
O relançamento de 20 anos e a turnê de reencontro ampliaram a audiência do My Chemical Romance, reunindo fãs antigos e uma nova geração. Para muitos, o álbum segue sendo uma das obras de rock mais influentes das últimas décadas, tanto pelo conceito quanto pelas performances que o colocaram novamente em destaque nas paradas.
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