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Economia

Trabalho de cuidado: pesquisadora diz que mulheres vivem “escala 7×0”

Embora muitos trabalhadores estejam em descanso no feriado de 1º de maio, há um grupo cuja rotina pouco muda: quem se dedica ao cuidado de crianças,...

01/05/2026 · 16h12
Trabalho de cuidado: pesquisadora diz que mulheres vivem “escala 7×0”

Embora muitos trabalhadores estejam em descanso no feriado de 1º de maio, há um grupo cuja rotina pouco muda: quem se dedica ao cuidado de crianças, idosos e às tarefas domésticas. Segundo dados do IBGE citados pela pesquisadora Cibele Henriques, mulheres gastam quase dez horas a mais por semana nessas atividades do que os homens.

Cibele Henriques, professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que essa divisão desigual tem origem histórica e se sustenta por discursos culturais que naturalizam o papel feminino como cuidadora. A pesquisadora relaciona essa norma social a construções simbólicas — inclusive com apoio de instituições como a Igreja — que apresentam o cuidado como um dever feminino ligado ao afeto.

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Carga e reconhecimento

Para Cibele, o cuidado é um trabalho essencial à reprodução da força de trabalho e à manutenção da vida cotidiana, mas permanece em grande parte não remunerado e invisibilizado. Ela descreve o impacto dessa sobrecarga na saúde física e mental das mulheres e alerta que, quando o tempo é convertido em valor econômico, o tempo das mulheres é apropriado para atender às necessidades alheias.

A pesquisadora também destaca que essa realidade atinge tanto quem cuida exclusivamente em casa quanto as mulheres que acumulam um emprego remunerado com as tarefas domésticas. No dia do trabalhador, exemplifica, muitas mulheres ainda usam o dia de folga para lavar roupas, organizar a casa ou adiantar compras — e não para descansar.

Escala 7×0 e desigualdades

Cibele usa a expressão “escala 7×0” para descrever a contínua jornada de cuidado das mulheres, sobretudo das negras e das que vivem em regiões periféricas, que têm menos condições de transferir essas atividades para terceiros. Já mulheres de classe média alta costumam dispor de meios para delegar parte do trabalho doméstico.

A docente é cofundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro, iniciativas voltadas à produção acadêmica e à articulação política sobre o tema. Ela argumenta que, apesar de permeado por afeto, o trabalho de cuidado tem sido utilizado para justificar a exploração da mão de obra feminina.

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Consequências sociais e propostas

Cibele relaciona a responsabilidade desproporcional pelo cuidado à perpetuação da violência de gênero, ao explicar que muitas mulheres permanecem em relações abusivas por não terem autonomia econômica e por precisarem cuidar de filhos ou parentes. Ela aponta também um desafio demográfico: com o envelhecimento da população e a manutenção de uma parcela jovem, a demanda por cuidados tende a crescer.

Como saída, a pesquisadora defende a quebra de papéis tradicionais e um maior protagonismo do Estado por meio de políticas públicas que estruturem uma rede de apoio ao cuidado, o que poderia reduzir o ônus que recai hoje, majoritariamente, sobre as mulheres.

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Com informações de Agência Brasil

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Embora muitos trabalhadores estejam em descanso no feriado de 1º de maio, há um grupo cuja rotina pouco muda: quem se dedica ao cuidado de crianças, idosos e às tarefas domésticas. Segundo dados do IBGE citados pela pesquisadora Cibele Henriques, mulheres gastam quase dez horas a mais por semana nessas atividades do que os homens.

Cibele Henriques, professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que essa divisão desigual tem origem histórica e se sustenta por discursos culturais que naturalizam o papel feminino como cuidadora. A pesquisadora relaciona essa norma social a construções simbólicas — inclusive com apoio de instituições como a Igreja — que apresentam o cuidado como um dever feminino ligado ao afeto.

Carga e reconhecimento

Para Cibele, o cuidado é um trabalho essencial à reprodução da força de trabalho e à manutenção da vida cotidiana, mas permanece em grande parte não remunerado e invisibilizado. Ela descreve o impacto dessa sobrecarga na saúde física e mental das mulheres e alerta que, quando o tempo é convertido em valor econômico, o tempo das mulheres é apropriado para atender às necessidades alheias.

A pesquisadora também destaca que essa realidade atinge tanto quem cuida exclusivamente em casa quanto as mulheres que acumulam um emprego remunerado com as tarefas domésticas. No dia do trabalhador, exemplifica, muitas mulheres ainda usam o dia de folga para lavar roupas, organizar a casa ou adiantar compras — e não para descansar.

Escala 7×0 e desigualdades

Cibele usa a expressão “escala 7×0” para descrever a contínua jornada de cuidado das mulheres, sobretudo das negras e das que vivem em regiões periféricas, que têm menos condições de transferir essas atividades para terceiros. Já mulheres de classe média alta costumam dispor de meios para delegar parte do trabalho doméstico.

A docente é cofundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro, iniciativas voltadas à produção acadêmica e à articulação política sobre o tema. Ela argumenta que, apesar de permeado por afeto, o trabalho de cuidado tem sido utilizado para justificar a exploração da mão de obra feminina.

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Consequências sociais e propostas

Cibele relaciona a responsabilidade desproporcional pelo cuidado à perpetuação da violência de gênero, ao explicar que muitas mulheres permanecem em relações abusivas por não terem autonomia econômica e por precisarem cuidar de filhos ou parentes. Ela aponta também um desafio demográfico: com o envelhecimento da população e a manutenção de uma parcela jovem, a demanda por cuidados tende a crescer.

Como saída, a pesquisadora defende a quebra de papéis tradicionais e um maior protagonismo do Estado por meio de políticas públicas que estruturem uma rede de apoio ao cuidado, o que poderia reduzir o ônus que recai hoje, majoritariamente, sobre as mulheres.

Com informações de Agência Brasil

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