The Edge e Larry Mullen Jr., na BBC, criticaram a interferência de promotores e estádios na retirada de Macklemore da turnê de Sheeran. Apoiavam o direito do rapper de falar sobre Gaza. Pediram que Sheeran não seja demonizado.
O U2 criticou a interferência de empresários e proprietários de estádios na liberdade de expressão de músicos ao comentar a retirada de Macklemore da turnê norte-americana de Ed Sheeran. Em entrevista concedida à BBC, publicada na sexta-feira (6), The Edge e Larry Mullen Jr. defenderam o direito do rapper de se posicionar sobre a guerra em Gaza.
“Apoiamos totalmente o direito de Macklemore, como artista, de dizer o que queria dizer”
O guitarrista também rejeitou a responsabilização individual de Sheeran pelo episódio.
“Não acho que Ed deva ser demonizado. Ele estava em uma situação muito difícil.”
The Edge afirmou ainda que os artistas que desistiram de participar da turnê em solidariedade a Macklemore atuaram em defesa de um princípio mais amplo.
“Eles estavam defendendo o direito de um artista à liberdade de expressão, e acho que essa é a questão acima de qualquer outra”
Larry Mullen Jr. adotou posição semelhante, ressaltando limites para a expressão.
“Como banda, vamos lutar pelo direito de cada um dizer o que pensa, desde que isso não incite a violência”
“Mesmo que discordemos ou não gostemos, ninguém — nenhum bilionário, nenhum promotor, nenhum proprietário — tem o direito de censurar alguém.”
A controvérsia começou em setembro, quando Macklemore fez manifestações pró-Palestina durante apresentações de abertura da “Loop Tour” no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Antes de cantar “Hind’s Hall”, música ligada aos protestos estudantis contra a guerra em Gaza, ele declarou:
“Palestina livre”
As declarações geraram objeções de proprietários de locais previstos no roteiro. Um dono de time e estádio associou as falas do rapper a um que foi considerado um histórico de retórica antissemita, associação que Macklemore rejeitou, negando que suas críticas ao governo israelense fossem ataques à população judaica. A promotora Messina Touring Group retirou Macklemore da programação, e as restrições impostas por alguns estádios poderiam comprometer as apresentações seguintes.
Artistas que cancelaram participação
- Finneas
- Aaron Rowe
- Lukas Graham
- Beoga (grupo que acompanhava Sheeran)
Ed Sheeran afirmou que a decisão de remover Macklemore não foi tomada por ele e disse ter tentado negociar uma solução com as partes envolvidas. Posteriormente, o cantor britânico reconheceu erros na condução do caso e classificou a situação humanitária em Gaza como injustificável e desproporcional.
Antes da conversa citada com a BBC, o vocalista Bono tratou da relação entre música e posicionamento político em entrevista recente. Ele disse que Sheeran demonstrou receio de ser envolvido em debates políticos durante a gravação de “Yours Eternally”, parceria do U2 com o britânico e com o cantor ucraniano Taras Topolia. A canção integra “Days of Ash”, EP lançado em fevereiro e inspirado por conflitos internacionais.
O debate sobre liberdade de expressão e limites do posicionamento artístico ocorre às vésperas do lançamento de “Carnaval De Luz”, 16º álbum de estúdio do U2, previsto para 13 de novembro. A banda também anunciou retorno ao Brasil, com quatro apresentações em São Paulo integrando a turnê “The Greatest Show On Earth”.
Shows no Brasil
- 10/03/2027 — MorumBIS, São Paulo (Beck na abertura)
- 12/03/2027 — MorumBIS, São Paulo (Beck na abertura)
- 14/03/2027 — MorumBIS, São Paulo (Beck na abertura)
- 16/03/2027 — MorumBIS, São Paulo (Beck na abertura)
Para o público e para a indústria, a polêmica levanta questões sobre quem tem autoridade para controlar conteúdos em shows e quais limites devem ser aplicados quando artistas usam o palco para expressar posições políticas.
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