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Educação

Uerj comemora 22 anos de cotas raciais e reúne ex-alunos para avaliar programa

As cotas sociais e raciais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) completaram 22 anos em 2025. Para marcar a data e discutir o futuro da política, a instituição reuniu ex-estudantes cotistas na última semana de novembro, na reitoria, e iniciou a formação de uma rede de egressos que permitirá mapear trajetórias profissionais. […]

06/12/2025 · 15h59
Uerj comemora 22 anos de cotas raciais e reúne ex-alunos para avaliar programa

As cotas sociais e raciais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) completaram 22 anos em 2025. Para marcar a data e discutir o futuro da política, a instituição reuniu ex-estudantes cotistas na última semana de novembro, na reitoria, e iniciou a formação de uma rede de egressos que permitirá mapear trajetórias profissionais.

Pioneira na adoção de cotas em vestibulares, em 2003, a Uerj opera hoje sob a Lei 8.121/2018, que reserva 20% das vagas para candidatos negros, indígenas e quilombolas, além de outros 20% para quem concluiu todo o ensino médio em escola pública. A norma vencerá em 2028 e passará por nova revisão legislativa.

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Histórias de transformação

Henrique Silveira, formado em geografia em 2010, contou que a reserva de vagas foi decisiva para sair de Imbariê, distrito da Baixada Fluminense, onde trabalhava entregando material de construção com carroça. Hoje, ocupa o cargo de subsecretário de Tecnologias Sociais da prefeitura do Rio de Janeiro. “Sou o tipo de mobilidade social que essa política possibilita”, afirmou.

A dentista Maiara Roque ingressou em odontologia em 2013. Filha de cuidadora de idosos, ela lembrou das dificuldades financeiras nos primeiros semestres e do questionamento sobre a capacidade dos cotistas. “Depois que você entra, adquire o sentimento de pertencimento”, disse. Atualmente, atende em consultório próprio no bairro da Penha, zona norte da capital.

Outro egresso, o historiador David Gomes, entrou em 2011 após cursar pré-vestibular popular. Morador do Complexo da Penha, ele defende o fim do critério de renda para pós-graduação. “A exigência de até R$ 2.277 por pessoa na família não contempla quem conclui cursos como direito ou medicina”, argumentou.

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Cotas e desempenho acadêmico

Pesquisas realizadas ao longo dos anos indicam que não há diferença de rendimento entre cotistas e não cotistas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram avanço na presença de pretos e pardos no ensino superior: em 2022, 11,7% dos pretos e 12,3% dos pardos tinham diploma universitário, contra 25,8% dos brancos.

Próximos passos

Desde 2003, cerca de 32 mil estudantes ingressaram na Uerj pelo sistema que cruza autodeclaração racial com renda familiar. Ex-alunos pedem redução da burocracia para comprovação de renda e mais apoio a pré-vestibulares populares. A universidade pretende usar os dados coletados na rede de egressos para embasar a revisão da lei em 2028.

 

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As cotas sociais e raciais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) completaram 22 anos em 2025. Para marcar a data e discutir o futuro da política, a instituição reuniu ex-estudantes cotistas na última semana de novembro, na reitoria, e iniciou a formação de uma rede de egressos que permitirá mapear trajetórias profissionais.

Pioneira na adoção de cotas em vestibulares, em 2003, a Uerj opera hoje sob a Lei 8.121/2018, que reserva 20% das vagas para candidatos negros, indígenas e quilombolas, além de outros 20% para quem concluiu todo o ensino médio em escola pública. A norma vencerá em 2028 e passará por nova revisão legislativa.

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Henrique Silveira, formado em geografia em 2010, contou que a reserva de vagas foi decisiva para sair de Imbariê, distrito da Baixada Fluminense, onde trabalhava entregando material de construção com carroça. Hoje, ocupa o cargo de subsecretário de Tecnologias Sociais da prefeitura do Rio de Janeiro. “Sou o tipo de mobilidade social que essa política possibilita”, afirmou.

A dentista Maiara Roque ingressou em odontologia em 2013. Filha de cuidadora de idosos, ela lembrou das dificuldades financeiras nos primeiros semestres e do questionamento sobre a capacidade dos cotistas. “Depois que você entra, adquire o sentimento de pertencimento”, disse. Atualmente, atende em consultório próprio no bairro da Penha, zona norte da capital.

Outro egresso, o historiador David Gomes, entrou em 2011 após cursar pré-vestibular popular. Morador do Complexo da Penha, ele defende o fim do critério de renda para pós-graduação. “A exigência de até R$ 2.277 por pessoa na família não contempla quem conclui cursos como direito ou medicina”, argumentou.

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Pesquisas realizadas ao longo dos anos indicam que não há diferença de rendimento entre cotistas e não cotistas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram avanço na presença de pretos e pardos no ensino superior: em 2022, 11,7% dos pretos e 12,3% dos pardos tinham diploma universitário, contra 25,8% dos brancos.

Próximos passos

Desde 2003, cerca de 32 mil estudantes ingressaram na Uerj pelo sistema que cruza autodeclaração racial com renda familiar. Ex-alunos pedem redução da burocracia para comprovação de renda e mais apoio a pré-vestibulares populares. A universidade pretende usar os dados coletados na rede de egressos para embasar a revisão da lei em 2028.

 

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