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Tecnologia

Uso de IA para criar imagens de abuso infantil cresce 40% e preocupa autoridades

Imagens de abuso sexual infantil geradas por IA cresceram em 2026; autoridades e legislações alertam famílias e recomendam revisar privacidade.

06/10/2026 · 08h00
Uso de IA para criar imagens de abuso infantil cresce 40% e preocupa autoridades

Aviso: esta matéria aborda violência sexual contra crianças e adolescentes. O texto não contém descrições gráficas.

A quantidade de imagens de abuso sexual infantil criadas com inteligência artificial cresceu de forma acelerada em 2026. Somente no primeiro semestre, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou mais de 6.310 imagens geradas por IA que se enquadravam na definição legal de material de abuso sexual infantil, número 40% maior que o registrado durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 4.512 imagens.

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Os dados levaram organizações de proteção e autoridades britânicas a reforçar um alerta às famílias: fotos comuns de crianças publicadas abertamente nas redes sociais podem ser capturadas e manipuladas com ferramentas de IA. A recomendação da IWF e da National Crime Agency (NCA) é revisar quem pode acessar essas imagens e evitar deixá-las disponíveis publicamente.

Os números mais recentes da IWF consideram imagens estáticas. Entre os casos nos quais foi possível registrar idade e gênero, meninas apareciam em 98% das imagens identificadas. Crianças entre sete e 13 anos representavam 79% do material analisado no período.

Há duas frentes de preocupação. Ferramentas generativas podem produzir imagens inteiramente sintéticas, mas também permitem modificar fotografias de crianças reais. Nesse segundo cenário, uma imagem comum publicada na internet pode servir como matéria-prima para criar um conteúdo falso.

O serviço Report Remove, usado para ajudar jovens a impedir a circulação de imagens íntimas, registrou neste ano 420 relatos de menores envolvendo fotos que os próprios acreditavam ter sido falsificadas ou manipuladas para parecer explícitas. O volume já superou os 397 registros de todo o ano passado.

Por isso, a NCA e a IWF recomendaram que pais e responsáveis verifiquem as configurações de privacidade de suas redes, revisem quem tem acesso às fotos dos filhos e considerem grupos restritos, como a opção de “amigos próximos”, para compartilhá-las.

“amigos próximos”

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Também é indicado revisar imagens antigas e autorizações dadas a escolas, clubes e outras instituições para publicar fotografias. Além disso, as orientações incluem restringir o acesso e avaliar a permanência de arquivos em ambientes digitais públicos.

O risco deixou de ficar restrito a ferramentas obscuras de geração de imagens. No início de 2026, o Grok, inteligência artificial da xAI integrada ao X (antigo Twitter), entrou em crise após ser usado para produzir imagens sexualizadas a partir de fotografias de pessoas reais. Apurações públicas encontraram casos envolvendo mulheres e menores de idade. Na época, o próprio Grok atribuiu parte dos resultados envolvendo crianças a falhas em suas proteções, enquanto a xAI afirmou que trabalhava para reforçar os sistemas de segurança.

Em março, três adolescentes entraram com uma ação contra a xAI nos Estados Unidos. O processo acusa o gerador de imagens do Grok de ter utilizado fotografias das jovens para criar e distribuir material sexualizado sem consentimento. O caso ainda tramita na Justiça.

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No Brasil, o tema avançou em duas frentes legislativas recentes. O ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) entrou em vigor em 17 de março de 2026 e criou obrigações de prevenção e mitigação de riscos para plataformas digitais, com fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), além de estabelecer o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente dentro da Polícia Federal. Em agosto, a Lei nº 15.487/2026 atualizou o Estatuto da Criança e do Adolescente para considerar material de violência sexual também o produzido, manipulado ou gerado digitalmente, inclusive quando a representação é inteiramente fictícia, e previu mecanismos de rastreamento de arquivos em espaços digitais públicos, a chamada

“ronda virtual”

para auxiliar autoridades.

O avanço da IA acrescenta uma dificuldade técnica ao combate desse material: sistemas baseados em hashes, que funcionam como impressões digitais de arquivos já identificados, conseguem bloquear conteúdos conhecidos, mas enfrentam limitações diante de imagens geradas ou alteradas a partir de material inédito.

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Aviso: esta matéria aborda violência sexual contra crianças e adolescentes. O texto não contém descrições gráficas.

A quantidade de imagens de abuso sexual infantil criadas com inteligência artificial cresceu de forma acelerada em 2026. Somente no primeiro semestre, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou mais de 6.310 imagens geradas por IA que se enquadravam na definição legal de material de abuso sexual infantil, número 40% maior que o registrado durante todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 4.512 imagens.

Os dados levaram organizações de proteção e autoridades britânicas a reforçar um alerta às famílias: fotos comuns de crianças publicadas abertamente nas redes sociais podem ser capturadas e manipuladas com ferramentas de IA. A recomendação da IWF e da National Crime Agency (NCA) é revisar quem pode acessar essas imagens e evitar deixá-las disponíveis publicamente.

Os números mais recentes da IWF consideram imagens estáticas. Entre os casos nos quais foi possível registrar idade e gênero, meninas apareciam em 98% das imagens identificadas. Crianças entre sete e 13 anos representavam 79% do material analisado no período.

Há duas frentes de preocupação. Ferramentas generativas podem produzir imagens inteiramente sintéticas, mas também permitem modificar fotografias de crianças reais. Nesse segundo cenário, uma imagem comum publicada na internet pode servir como matéria-prima para criar um conteúdo falso.

O serviço Report Remove, usado para ajudar jovens a impedir a circulação de imagens íntimas, registrou neste ano 420 relatos de menores envolvendo fotos que os próprios acreditavam ter sido falsificadas ou manipuladas para parecer explícitas. O volume já superou os 397 registros de todo o ano passado.

Por isso, a NCA e a IWF recomendaram que pais e responsáveis verifiquem as configurações de privacidade de suas redes, revisem quem tem acesso às fotos dos filhos e considerem grupos restritos, como a opção de “amigos próximos”, para compartilhá-las.

“amigos próximos”

Também é indicado revisar imagens antigas e autorizações dadas a escolas, clubes e outras instituições para publicar fotografias. Além disso, as orientações incluem restringir o acesso e avaliar a permanência de arquivos em ambientes digitais públicos.

O risco deixou de ficar restrito a ferramentas obscuras de geração de imagens. No início de 2026, o Grok, inteligência artificial da xAI integrada ao X (antigo Twitter), entrou em crise após ser usado para produzir imagens sexualizadas a partir de fotografias de pessoas reais. Apurações públicas encontraram casos envolvendo mulheres e menores de idade. Na época, o próprio Grok atribuiu parte dos resultados envolvendo crianças a falhas em suas proteções, enquanto a xAI afirmou que trabalhava para reforçar os sistemas de segurança.

Em março, três adolescentes entraram com uma ação contra a xAI nos Estados Unidos. O processo acusa o gerador de imagens do Grok de ter utilizado fotografias das jovens para criar e distribuir material sexualizado sem consentimento. O caso ainda tramita na Justiça.

No Brasil, o tema avançou em duas frentes legislativas recentes. O ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) entrou em vigor em 17 de março de 2026 e criou obrigações de prevenção e mitigação de riscos para plataformas digitais, com fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), além de estabelecer o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente dentro da Polícia Federal. Em agosto, a Lei nº 15.487/2026 atualizou o Estatuto da Criança e do Adolescente para considerar material de violência sexual também o produzido, manipulado ou gerado digitalmente, inclusive quando a representação é inteiramente fictícia, e previu mecanismos de rastreamento de arquivos em espaços digitais públicos, a chamada

“ronda virtual”

para auxiliar autoridades.

O avanço da IA acrescenta uma dificuldade técnica ao combate desse material: sistemas baseados em hashes, que funcionam como impressões digitais de arquivos já identificados, conseguem bloquear conteúdos conhecidos, mas enfrentam limitações diante de imagens geradas ou alteradas a partir de material inédito.

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