A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) aprovou, nesta quinta-feira (23), a antecipação do término do convênio firmado em 2018 com a Universidade de Haifa, em Israel. Dos 54 integrantes aptos a votar, 46 manifestaram apoio ao rompimento, válido originalmente até maio de 2026.
A decisão atende a demandas de estudantes que ocupam espaços da unidade e de docentes que se posicionam contra a parceria desde o início das ofensivas das Forças de Segurança de Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, desencadeadas após o ataque do grupo Hamas a civis israelenses.
Na semana passada, o Hamas aceitou proposta de cessar-fogo mediada pelos Estados Unidos e libertou os últimos reféns vivos. Apesar disso, a operação militar de Israel tem sido alvo de críticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e da maioria de seus Estados-membros, incluindo o Brasil, diante do alto número de vítimas civis e da destruição de infraestrutura essencial nos territórios palestinos.
Representantes do movimento estudantil comemoraram a decisão. “Foi uma vitória da ética sobre a omissão. A universidade pública brasileira não pode ser cúmplice de quem transforma o conhecimento em instrumento de guerra. Hoje, a FFLCH deu um passo histórico e a USP deve seguir o mesmo caminho”, declarou João Conceição, representante discente na Comissão de Cooperação Internacional da faculdade.
Outras instituições brasileiras — entre elas Unicamp (SP), UFF (RJ) e UFC (CE) — já haviam encerrado acordos semelhantes com universidades israelenses. A Congregação da FFLCH vai recomendar ao Conselho Universitário da USP que o rompimento seja estendido a toda a universidade.
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