Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto criaram um sistema que analisa radiografias panorâmicas, identifica cada dente e sinaliza lesões de cárie. O trabalho multidisciplinar foi publicado na revista PLOS Digital Health.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, desenvolveram um sistema de inteligência artificial (IA) que analisa radiografias panorâmicas dentárias de forma automática, identificando cada dente e detectando lesões de cárie. A tecnologia é fruto de uma parceria interdisciplinar entre a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e a Faculdade de Odontologia, por meio do Interdisciplinary Research Group in Digital Dentistry, que reúne cerca de 30 pesquisadores.
O projeto, publicado na revista científica PLOS Digital Health, utilizou modelos avançados de redes neurais para examinar imagens de exames de rotina. O objetivo não é apenas automatizar a análise dos dados, mas também oferecer uma “segunda opinião” no consultório, auxiliando cirurgiões-dentistas a tomar decisões mais rápidas e precisas.
“A responsabilidade pelo diagnóstico sempre será do profissional. Nenhum modelo é perfeito e sabe-se que eles sempre irão errar, mesmo que pouco. Por isso, a decisão clínica precisa continuar nas mãos do dentista”, afirmou uma das pesquisadoras envolvidas no projeto.
Como o sistema aprende
O sistema de aprendizado de máquina usado para identificar as lesões passa por um processo de treinamento supervisionado. O programa é alimentado com milhares de radiografias previamente analisadas por especialistas, o que permite um ajuste contínuo. A IA compara suas análises com essa “base de verdade” e corrige os próprios erros durante o treinamento, aprendendo gradualmente a reconhecer os padrões de cáries nas imagens com alta precisão.
Além da análise radiográfica, a ferramenta tem potencial para automatizar tarefas administrativas, como auxiliar no agendamento de consultas, responder a dúvidas de pacientes e apoiar o planejamento de tratamentos. Essa versatilidade pode significar exames mais ágeis e diagnósticos mais precisos.
Ainda em fase de aperfeiçoamento, o sistema deve acelerar pesquisas populacionais e estudos epidemiológicos na área acadêmica. O projeto é financiado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), tem código registrado pela USP e reúne alunos de graduação, alunos de pós-graduação e docentes.
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