O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, comentou neste sábado (11) sobre o papel da liderança do partido na alocação de emendas parlamentares. Em entrevista, ele destacou que os líderes atendem às sugestões da presidência da legenda, visando atender as demandas dos prefeitos em relação aos recursos necessários para suas administrações.
“Nós temos o pleito de todos os prefeitos, de muitos prefeitos do Brasil, eles vão falar com a presidência, porque os deputados não têm recursos suficientes. Então, nós sugerimos para a liderança e para as comissões”, afirmou Valdemar.
Ele explicou que é fundamental ouvir os prefeitos para entender quem mais necessita de apoio. Após essa avaliação, é feita uma divisão dos recursos. “Uma parte os deputados cedem, e aí nós indicamos que deem dinheiro, que passe dinheiro da saúde, passe dinheiro para as ações da prefeitura, para obras, para que o cidadão possa receber esses recursos”, completou.
No entendimento de Valdemar, essas negociações são meramente políticas. “Então, nós sugerimos para a liderança e para as comissões, porque temos várias comissões pelo tamanho da bancada. Por exemplo, a Comissão de Saúde é nossa, que tem verba própria também, então sugerimos que possa doar para esses municípios. Isso é só política, não tem outra coisa”, explicou.
“E esse pessoal, quando não tem ajuda, eles pedem para o presidente do partido, porque eu tenho mais força com os deputados. Eles dividem e deixam uma parcela para a liderança fazer. Quem faz a indicação é o líder. Ele atende às sugestões que eu mando, as que são possíveis”, acrescentou Valdemar.
A fala de Valdemar ocorre em meio a um contexto de investigações sobre emendas parlamentares. Recentemente, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga a indicação de ao menos 21 emendas que totalizariam R$ 119 milhões, valor bloqueado por decisão judicial. A investigação apura a possível utilização de servidores da Câmara dos Deputados para direcionar verbas públicas de forma irregular, através de registros fraudulentos.
Essas ações foram originadas na Operação Transparência, que foi deflagrada em dezembro de 2025 para investigar fraudes na destinação de emendas e o descumprimento das normas de transparência estabelecidas pelo STF. Segundo o inquérito, as solicitações de emendas eram formalizadas de forma a parecer legítimas, utilizando nomes de deputados reais como solicitantes.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, apresente documentos relacionados às emendas que possam estar ligadas a Valdemar Costa Neto em um prazo de dez dias.
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