Socorrer os Aflitos. (por Antonio Samarone)

Redação, 22 de Março, 2020

Cheio de cuidados, deixei a quarentena e fui comprar alimentos num mercadinho, na estrada do Mosqueiro. O estabelecimento estava lotado de jovens, que tomavam uma cervejinha. Fiz um alerta: Gente, cuidado com a Peste! Eles caíram na gargalhada. Besteira, tio, essa doença só mata velhos.

Mesmo não sendo verdade, aquilo me incomodou. A sociedade brasileira perdeu a empatia pelos velhos ou nunca teve?

Mesmo a Peste do Covid -19, não matando só velhos, o risco dos idosos é maior.

O que está sendo cobrado de todos é o isolamento social. A solidariedade não está em pauta. “Em tempos de murici, cada um cuide de si”, o velho lema do Exército, na segunda expedição em Canudos.

Estamos entregando a responsabilidade do acolhimento das vítimas às instituições de saúde, mesmo sabendo que o SUS vem sendo desmontado.

Os devotos do mercado vão perceber que nem tudo pode virar mercadoria. A saúde é um bom exemplo. Nessa hora, as portas do SUS precisariam estar abertas.

Sabemos que essas medidas “heroicas” do isolamento social, visam alongar o tempo da epidemia, evitar o pico rápido, minimizando as consequências para as vítimas, dado que a rede de atenção à saúde (pública e privada) não suporta e entrará em colapso.

Observando a tragédia na Itália, os profissionais de saúde e religiosos italianos, estão na linha de frente socorrendo os aflitos, mesmo correndo riscos.

A imensa maioria dos “socialmente isolados”, por enquanto, apenas batem palmas em agradecimento.

Antonio Samarone.

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