A cultura gamer no Brasil passou por uma grande evolução, especialmente entre os anos 1990 e 2000. Durante esse período, muitos jogadores vivenciaram experiências marcantes que transcenderam plataformas e classes sociais, criando memórias comuns entre os gamers da época.
Entre os desafios enfrentados, um dos mais emblemáticos foi o tempo de carregamento dos jogos. Sem a tecnologia de SSDs, jogadores de PlayStation 1 e 2 se viam obrigados a esperar longas eternidades para que seus jogos carregassem. Para passar o tempo, muitos giravam o analógico do controle, uma prática que se tornava quase uma diversão em si, especialmente com jogos que traziam animações durante esse processo.
“Girava o analógico na tela de loading”
Outro aspecto que marcou essa época foi a dependência das revistas de games. Antes da popularização da internet e do YouTube, muitos gamers contavam com publicações como Ação Games e Super Game Power para encontrar dicas e detonados. Essas revistas se tornaram essenciais para completar jogos, especialmente em RPGs e aventuras que continham segredos e desafios complexos.
As locadoras também foram fundamentais na formação da comunidade gamer. Muitas crianças se reuniam nesses espaços para jogar e, com isso, o cuidado com os controles era uma preocupação constante. Não era raro ver um controle cair no chão durante uma partida, levando a regras rigorosas nas locadoras, como a perda de tempo de jogo a cada queda.
Outro truque famoso entre os gamers da época foi a técnica de virar o PlayStation 1 de cabeça para baixo, uma solução improvisada para um problema comum: a tampa do console que não fechava. Essa prática se tornou tão comum que muitos consideravam normal ver o console nessa posição, permitindo que a diversão continuasse.
Os cartuchos de Super Nintendo e Mega Drive também traziam à tona um ritual peculiar: assoprar as fitas para que funcionassem corretamente. Apesar de não haver explicação técnica para isso, muitos acreditavam que essa prática ajudava a fazer os jogos rodarem, criando um aspecto cultural que perdurou entre os jogadores.
Com o advento dos PCs, situações inusitadas também surgiram. Jogadores frequentemente desligavam seus computadores acidentalmente, chutando o gabinete em meio à empolgação de partidas em jogos como Diablo II ou The Sims 2. Essa falta de espaço para os PCs muitas vezes levava a situações engraçadas e frustrantes.
Por fim, a era dos controles com fio trouxe seus próprios desafios, como o emaranhado de cabos que gerava uma série de perrengues. A chegada de consoles como PlayStation 3 e Xbox 360, com seus controles sem fio, foi um alívio para muitos gamers, que puderam se livrar desse problema.
Essas e outras experiências formaram a base da nostalgia que muitos gamers brasileiros têm por essa época, repleta de desafios, criatividade e diversão.












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