O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou, na quarta-feira (1º de julho de 2026), um documento ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propondo um “compromisso legislativo” para impedir a interconexão do sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, com sistemas considerados “não ocidentais”. Em troca, ele solicitou que o governo dos EUA adiasse por 180 dias a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
No documento de 86 páginas, Flávio, que é pré-candidato à Presidência pelo PL, argumentou que o Pix não compete com empresas norte-americanas de meios de pagamento, ressaltando que se trata de uma infraestrutura pública semelhante ao FedNow, operado pelo Federal Reserve.
“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna”, afirmou o senador.
A proposta foi apresentada no último dia do prazo aberto pelo USTR para receber manifestações sobre a investigação comercial contra o Brasil. Flávio está confirmado para participar da audiência pública que discutirá o tema nos dias 6 e 7 de julho, em Washington.
O senador também classificou como “exagerada” a teoria de conflito de interesses levantada pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano), sustentando que a aplicação de tarifas não alteraria a estrutura do Pix, mas prejudicaria os investimentos dos EUA no Brasil e fortaleceria o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em junho de 2026, o USTR concluiu uma investigação que classificou algumas políticas brasileiras como “irracionais” ou “restritivas” ao comércio norte-americano. O relatório abrangeu temas como o funcionamento do Pix, regulação de plataformas digitais e combate ao desmatamento ilegal, entre outros. Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Além disso, outra investigação apontou que diversos países, incluindo o Brasil, não fiscalizariam adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado, resultando em uma proposta de sobretaxa adicional de 12,5%. Se confirmadas, essas tarifas podem elevar a taxação total sobre parte dos produtos exportados ao EUA a até 37,5%.
O governo Lula também apresentou sua resposta à investigação na mesma quarta-feira. No documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores), o Brasil afirmou que o USTR não comprovou atos, políticas ou práticas que discriminem o comércio dos Estados Unidos.
A audiência do USTR contará com a participação de Flávio Bolsonaro, do influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, e representantes de setores como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), rural, de varejo e de mineração. O presidente Lula, por sua vez, atribui as ameaças tarifárias a articulações da família Bolsonaro contra instituições brasileiras.
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