Mais de 75 milhões de brasileiros enfrentam restrições de crédito. Cada inadimplente deve, em média, R$ 5.145. O cenário acende alerta para a economia.
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil registraram, em maio de 2026, 75,06 milhões de consumidores com o nome negativado no Brasil. Esse número representa 44,8% da população adulta do país, evidenciando um cenário preocupante para a economia nacional.
A variação anual observada em maio deste ano ficou abaixo da registrada no mês anterior. Em comparação mensal, houve um aumento de 0,44% em relação a abril. Os dados foram divulgados na quarta-feira, dia 17 de junho de 2026.
No mês de maio, cada inadimplente tinha uma dívida média de R$ 5.145,04, com um perfil que revela que cada devedor possui pendências com cerca de 2,34 empresas credoras. O aumento no número de inadimplentes se concentrou principalmente entre aqueles com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos, que apresentou uma alta de 38,35%.
Os dados também indicam que quase 3 em cada 10 brasileiros (29,19%) possuíam dívidas de valor até R$ 500, enquanto esse percentual sobe para 41,52% quando se considera dívidas de até R$ 1.000. O volume total de dívidas em atraso cresceu 15,64% em maio de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esse indicador, embora alto, ficou abaixo da variação anual observada no mês anterior. Na passagem de abril para maio, o número de dívidas apresentou um aumento de 0,41%.
“A piora do cenário macroeconômico, alta do dólar e juros altos exercem pressão direta sobre a inflação e o custo de vida”, afirmou o presidente da CNDL, José César da Costa.
José César também destacou que, mesmo com a implementação do programa Desenrola, que tem sido fundamental para a limpeza e resgate de CPFs, a situação geral que afeta o orçamento familiar não se alterou. “Muitos consumidores que recorreram ao Desenrola conseguiram renegociar parte de seus débitos, mas ainda permanecem com outras pendências financeiras ou assumiram novos compromissos que acabaram por atrasar”, declarou.
Em termos de perfil e distribuição regional, o maior número de devedores está na faixa etária de 30 a 39 anos, totalizando 18,23 milhões de pessoas. A análise por gênero aponta uma predominância feminina, com 51,34% de mulheres contra 48,66% de homens entre os inadimplentes.
A região Sul apresentou a maior alta no número de inadimplentes em comparação anual, com um crescimento de 9,86%, seguida pelo Norte (9,52%), Sudeste (7,94%), Centro-Oeste (7,08%) e Nordeste (6,04%). Quanto ao número de dívidas, a maior alta foi registrada na região Norte (17,49%), seguida pelo Sul (16,88%), Sudeste (15,09%), Centro-Oeste (14,08%) e Nordeste (12,28%).
O levantamento aponta que o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,48% da população adulta está inscrita em cadastros de devedores, enquanto na região Sul, a proporção de negativados corresponde a 40,78% da população adulta.

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