Imagens hiper-realistas de bombardeios e rendições, criadas por ferramentas generativas, inundam as redes sociais e dificultam o trabalho de agências de inteligência e ajuda humanitária.
NOVA YORK / TEERÃ – A guerra no Irã está sendo travada em duas frentes: no campo de batalha físico e no digital. De acordo com uma reportagem investigativa do The New York Times, o uso de Inteligência Artificial para a criação de deepfakes e vídeos sintéticos atingiu um patamar sem precedentes, gerando o que especialistas chamam de “caos informativo total”.
O Mecanismo da Desinformação
Diferente das manipulações grosseiras do passado, os novos vídeos utilizam modelos de IA de última geração (como o Veo e o Sora) para criar cenas de combate que nunca existiram.
- Cenas de Pânico: Vídeos mostram civis fugindo de explosões em pontos turísticos de Teerã que permanecem intactos.
- Falsas Rendições: Imagens de soldados de alta patente supostamente se entregando foram usadas para desmoralizar tropas na linha de frente.
- Lideranças: Discursos falsos de autoridades iranianas e ocidentais pedindo o uso de armas nucleares foram detectados e desmentidos horas depois, mas não antes de causarem pânico nos mercados financeiros.
O Impacto na Diplomacia e Ajuda Humanitária
O caos gerado por essas imagens tem consequências reais e perigosas:
- Dificuldade de Verificação: Agências de notícias e órgãos como a ONU precisam dedicar equipes inteiras apenas para autenticar cada vídeo que surge nas redes sociais (como X e TikTok).
- Tomada de Decisão: Governos enfrentam o risco de reagir a ataques que não ocorreram ou ignorar alertas reais por acreditarem tratar-se de IA.
- Ceticismo Generalizado: O público, ao saber da existência desses vídeos, passa a duvidar de imagens reais de violações de direitos humanos, o que beneficia agressores.
Resposta das Gigantes de Tecnologia
Plataformas como Google, Meta e OpenAI intensificaram o uso de marcas d’água invisíveis (como o SynthID) e metadados de procedência. No entanto, o relatório do Times indica que grupos estatais e hackers independentes estão utilizando versões “abertas” (open-source) de IA, que não possuem essas travas de segurança.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →