Senador solicitou participação em audiência americana marcada para 6 de julho. Ele alerta que a sobretaxa prejudica exportadores brasileiros e importadores dos EUA.
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez uma solicitação para se pronunciar em uma audiência pública nos Estados Unidos, antes da decisão final sobre a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A audiência está marcada para o dia 6 de julho e o prazo legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil se encerra em 15 de julho de 2026.
Em seu pedido, Flávio argumenta que a tarifa, se aprovada, beneficiaria o governo atual, cuja conduta está sendo investigada, e prejudicaria os exportadores brasileiros, os importadores norte-americanos, os consumidores dos EUA e a oposição no Brasil, que seria a principal afetada pela medida. Ele deseja utilizar cinco minutos do tempo disponível para apresentar suas considerações.
“A tarifa, na prática, beneficiaria o governo atual, cuja conduta a investigação descreve”, afirmou o senador em seu documento.
Flávio destacou ainda que já se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir a questão das tarifas.
A proposta de nova tarifa foi apresentada em 1º de junho, após a conclusão de uma investigação pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais do Brasil. A medida é vista como uma resposta a práticas consideradas injustas pelo governo norte-americano.
Entre os tópicos da investigação estão questões relacionadas ao sistema de pagamentos Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O USTR identificou que políticas públicas brasileiras favorecem o Pix, colocando empresas norte-americanas em desvantagem no setor de serviços de pagamento eletrônico.
Alguns produtos, no entanto, foram isentos da tarifa, como carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palhas e forragens. Aeronaves, peças de aeronaves brasileiras, terras-raras, produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes também estão fora da nova tarifa.
A proposta de tarifa é parte da estratégia de Trump para reestruturar sua política tarifária, após enfrentar derrotas judiciais nos EUA. O governo norte-americano agora utiliza investigações específicas por país para fundamentar novas cobranças sobre importações, e a Seção 301 exige consultas, audiências e apurações antes da implementação de tarifas.
Essa iniciativa surge após tentativas de reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, que se reuniram em Washington no dia 7 de maio para discutir tarifas, combate ao crime organizado e minerais críticos, além de um prazo de 30 dias concedido ao Brasil para negociar medidas comerciais com os EUA. A proposta também se segue a atritos entre os dois países em 2025, quando Trump impôs uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, buscando pressionar o Brasil a interromper processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do republicano. Posteriormente, parte das tarifas foi reduzida e decisões judiciais limitaram sua aplicação.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm um superávit comercial com o Brasil há uma década.
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