O conglomerado chileno Cencosud firmou um acordo para a aquisição total das operações da St. Marche, uma rede de supermercados premium situada no estado de São Paulo. O contrato de compra e venda foi assinado na quarta-feira, 24 de junho, em meio ao pedido de recuperação judicial do Grupo Hortus, atual controlador da marca.
A transação será realizada por meio da subsidiária Cencosud Brasil Comercial, que já opera as redes GBarbosa e Giga Atacados no Brasil. Importante destacar que a compra ocorrerá sem que a Cencosud assuma dívidas ou faça desembolsos de caixa, conforme informações divulgadas pelo grupo chileno.
Esse anúncio coincide com a apresentação do plano de recuperação judicial do Grupo Hortus, enviado à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O documento revela que a empresa enfrentou uma crise de liquidez entre 2024 e 2025 e busca proteção judicial contra cobranças enquanto tenta concluir a venda para a Cencosud.
O pedido inclui um período de suspensão das execuções (stay period) de 180 dias, com o objetivo de estabilizar as operações. O Grupo Hortus argumenta que a recuperação não é a solução final, mas um meio para viabilizar a venda do negócio, considerada a solução definitiva para o endividamento.
A conclusão da transação está sujeita a condições habituais, como a aprovação da recuperação judicial e a anuência do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Caso todas as condições sejam atendidas, a compra será financiada com recursos obtidos da venda das operações da Cencosud em Minas Gerais.
De acordo com o pedido de recuperação judicial, as lojas St. Marche e Empório Santa Maria continuarão operando, preservando cerca de 2.100 empregos diretos. O grupo também assegura que a cadeia de fornecedores será mantida, mesmo com a mudança de gestão após a venda.
O plano de recuperação prioriza fornecedores, proprietários dos imóveis alugados e financiadores, reconhecendo sua importância para a continuidade das operações até a conclusão da venda. O Grupo Hortus destaca que a crise na empresa está relacionada a eventos do cenário macroeconômico do país.
Entre julho de 2021 e agosto de 2023, a St. Marche expandiu de 21 para 33 lojas, com um investimento superior a R$ 120 milhões. Essa expansão foi planejada com a expectativa de um IPO (oferta pública inicial) em 2021, que não se concretizou devido ao agravamento das condições econômicas. Sem acesso a recursos do mercado de capitais, o grupo recorreu a financiamentos bancários, o que elevou suas despesas financeiras em um período de alta de juros.
A empresa também ressaltou que novos supermercados costumam levar de quatro a cinco anos para atingir a maturidade operacional, o que significa que as novas lojas ainda não estavam gerando os retornos esperados. A redução das linhas de crédito, cortes em operações de risco-sacado e atrasos com fornecedores ainda contribuíram para a crise de liquidez enfrentada pelo grupo.
O plano de recuperação judicial prevê um tratamento privilegiado para créditos trabalhistas, com pagamento de até R$ 160 mil por trabalhador em um prazo máximo de 30 dias após a venda. Já os credores quirografários receberão até R$ 5 mil à vista e o restante em parcelas.
Além disso, os fornecedores que continuarem a fornecer produtos durante o processo de recuperação serão classificados como “Fornecedores Parceiros” e receberão incentivos para manter as operações funcionais até a transferência para a Cencosud.
LEIA TAMBÉM
Em agenda em Sergipe, ato com Ronaldo Caiado registra baixa adesão de público
24 de junEm Aracaju, Ronaldo Caiado minimiza apoio de Fábio Mitidieri a Lula: “O PSD respeita as decisões estaduais”
24 de junBolsonaro depõe sobre apreensão de arma durante blitz em Taguatinga
24 de junReceba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

