
Quando comprei o meu primeiro computador pessoal, em 1996, as bancas de jornais estavam repletas de revistas de informática. Programinhas DE GRAÇA para todos os gostos. Tinha até jogos (hoje, e “on line” quase só tem jogos).
Consumi os tais programinhas, alguns de excelsa utilidade, como os de C+++ e outros, que possibilitaram ao meu filho programar o primeiro site de Itabaiana, publicado por mim, em 26 de marco de 2001.
Mas em 2008, mudei o tom.
Entrei na internet em 1999, e em 2008 a lixaria digital já se agigantava, apesar da larapiada que hoje tomou conta do meio ainda ser raríssima. É que ela veio com força depois do smartphone. E foi aí, em 2008, que desisti de “me atualizar”, com novos e mais novos programas, restringindo-me apenas aos essenciais, e já com prazo vencido. Não dá para acompanhar a loucura da “novomania”, a menos que eu me torne uma mera projeção idiota dos porta-algoritmos.
Logo, me tornei um dinossauro digital. Ainda uso CDs, pendrives, HDs… e só não uso disquete (Foi da sua época, hein?) por falta de insumos: discos e leitores. A “nuvem”, só em ultimíssimo caso. Quero continuar com a ilusão que tenho alguma coisa, e “nuvem” é dos detentores, dos donos de ultra data centers.
A desumanização
Há três anos que vou me valendo da minha agência bancária.
Aposentado, necessitando fazer todo o ano, a prova de vida, além de saco cheio, de ter de dialogar com máquina, ainda me oferecem a tal prova de vida, “online”. Como se fosse um bocó, em busca de preencher o espírito com essas tralhas digitais.
Ocorre que como quase todos da minha idade, tenho deficiências visuais, carecendo do uso de óculos. Que a máquina não enxerga. Não consegue me identificar, usando óculos. E como peste eu vou ler e digitar informações sem óculos?
Trabalhei no serviço público de saúde por 36 anos. Mais precisamente num laboratório clínico. Então, eu e colegas fazíamos tudo; inclusive recepção e cadastramento de clientes-contribuintes. Fazíamos uma ficha completa do paciente em dois minutos e meio. Atualmente, quando preciso ir a um laboratório realizar algum exame, para conferir o cadastro, exímias e experientes funcionárias levam cinco, entre acessos e conferências nas fichas digitais e outros badulaques.
Para a contabilidade e as estatísticas, ótimo! As totalizações em segundos, a um simples toque de dedo. Porém, quando se trata de gente, de carne, osso e alma, só promessas e amolação de paciência. Humilhação.
Em tempo: descontar um cheque no banco demorava menos de três minutos de atendimento. Pagar uma conta, o tempo que demora pagar o talão de água no correspondente bancário.
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