O Bank of America (BofA) divulgou, nesta sexta-feira (3), uma revisão para baixo em sua projeção de crescimento do Brasil para 2027. A estimativa de alta do PIB (Produto Interno Bruto) passou de 2,3% para 1,3%, uma redução de um ponto percentual considerada significativa pelos analistas do setor.
A analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, explicou que o BofA não é o único a adotar essa postura. Segundo ela, uma espécie de “onda de revisões negativas” para o crescimento econômico do próximo ano já começou a se formar entre as principais instituições financeiras do país.
Para 2026, muitos economistas ainda avaliam que a economia brasileira pode crescer um pouco mais do que se imaginava anteriormente. Entre os fatores que sustentam essa projeção estão um mercado de trabalho relativamente aquecido, o efeito do crédito sobre a atividade econômica e medidas do governo que promovem impulso fiscal, renda e, consequentemente, consumo.
Lucinda também mencionou que o Fundo Monetário Internacional (FMI), de acordo com informações atribuídas a Dario Durigan, deve revisar para cima sua projeção de crescimento do PIB para o ano corrente. No entanto, esse crescimento mais robusto em 2026, combinado com uma inflação ainda elevada, deve manter a taxa de juros em patamares altos por mais tempo, o que compromete a expansão econômica em 2027.
Diversas instituições financeiras já ajustaram suas estimativas de crescimento para o próximo ano. O Bradesco revisou sua projeção de 2% para 1,5%; o Banco Pan é o mais pessimista, com previsão de crescimento de apenas 0,8%; a XP projeta alta de 1,2%; o Itaú, de 1,7%; e o Banco Inter, de 1,8%. Lucinda destacou que mesmo quem não revisou recentemente está percebendo um cenário de desaceleração.
Entre os argumentos que sustentam esse pessimismo estão a perda de força do impulso fiscal observado em 2026 e o fato de que as famílias brasileiras devem chegar a 2027 com orçamentos mais comprometidos com dívidas de crédito, reduzindo o espaço para novas contratações de crédito e, consequentemente, para o consumo.
Questionada sobre se a desaceleração econômica traria alívio nos preços, Lucinda Pinto foi cautelosa. “Em tese, esse cenário de consumo mais fraco deveria abrir caminho para um alívio dos preços”, afirmou. Contudo, outros fatores podem continuar pressionando a inflação, levando muitos economistas a revisarem para cima suas estimativas para o IPCA.
O próprio BofA já projeta uma inflação de 4,7% para 2027, enquanto alguns economistas falam em índices superiores a 5%. Entre os fatores que podem pressionar a inflação, Lucinda destacou o fenômeno El Niño, que deve encarecer os alimentos globalmente, e a perspectiva de desvalorização do real frente ao dólar, impulsionada pelo fortalecimento da moeda americana.
“É um cenário que mistura uma inflação ainda elevada, juros altos e atividade econômica fraca”, resumiu a analista, ressaltando que 2027 apresenta um grande desafio econômico para quem assumir o novo governo.
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