Um estudo recente revelou que muitos americanos recorrem às redes sociais para buscar informações sobre saúde, incluindo sintomas e tratamentos. De acordo com a pesquisa, mais de 20% dos adultos nos Estados Unidos que utilizam essas plataformas afirmaram que tomaram decisões sobre sua saúde baseadas nas informações encontradas online. O estudo foi publicado no dia 30 de junho no periódico JAMA (Journal of the American Medical Association).
A Dra. Leana Wen, especialista em bem-estar e médica de emergência, comentou sobre as implicações desse fenômeno. Segundo ela, quase 88% dos adultos entrevistados usaram redes sociais no último ano, e cerca de 85% compartilharam informações sobre saúde. Além disso, aproximadamente 70% dos participantes se envolveram em comunidades online relacionadas à saúde.
“Mais de 1 em cada 5 usuários de redes sociais — cerca de 47 milhões de americanos — relataram ter tomado decisões sobre saúde com base em informações que viram nas redes sociais”, afirmou a Dra. Wen.
Embora as redes sociais ofereçam acesso rápido e gratuito a informações de saúde, a Dra. Wen alerta para os riscos associados a essa prática. Aproximadamente 78% dos usuários acreditam que as informações de saúde disponíveis nessas plataformas são falsas ou enganosas. O estudo também apontou que adultos mais velhos e usuários hispânicos são mais propensos a tomar decisões de saúde com base em informações de redes sociais.
Outro aspecto importante abordado no estudo é a complexidade crescente da área da saúde. Durante as consultas médicas, os pacientes frequentemente saem com dúvidas que não foram esclarecidas, levando-os a buscar respostas nas redes sociais. Essa busca pode ser motivada pela dificuldade em contatar profissionais de saúde para novas perguntas que surgem após as consultas.
Apesar das vantagens, a Dra. Wen destacou que confiar nas redes sociais para obter conselhos de saúde pode ser arriscado. As plataformas não conseguem diferenciar entre conselhos de especialistas e opiniões pessoais, tornando difícil para os usuários identificar fontes confiáveis. Além disso, publicações mais emocionantes ou controversas tendem a ter maior engajamento, ofuscando informações científicas bem fundamentadas.
Por fim, a Dra. Wen alertou para o potencial de conflitos de interesse, já que alguns criadores de conteúdo podem ser pagos para promover produtos de saúde sem divulgar essas informações. Os algoritmos das redes sociais também podem amplificar a desinformação, perpetuando conteúdos que não são baseados em evidências científicas.
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