Nas últimas semanas, o mercado de petróleo apresentava uma narrativa de normalização no Oriente Médio, com um cessar-fogo estabelecido e um acordo de paz sendo negociado entre Estados Unidos e Irã. Essa situação havia possibilitado o retorno do fluxo de mercadorias no Estreito de Ormuz e, como resultado, o preço do petróleo havia recuado.
No entanto, a situação mudou drasticamente com novos ataques entre os dois países. O governo dos EUA decidiu revogar a licença de venda de petróleo iraniano. No dia 11, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã fechou o Estreito de Ormuz após disparar um tiro de advertência contra uma embarcação que tentava utilizar uma rota não autorizada.
Na sequência, o barril do tipo Brent, referência internacional, apresentou alta nos pregões de 7 e 8 de julho, alcançando o maior patamar desde 22 de junho. Contudo, na quinta-feira (9), o preço recuou, devolvendo parte dos ganhos, e na sexta-feira (10), encerrou o dia em queda, embora essa movimentação não tenha sido suficiente para anular a alta acumulada de 5,39% da semana.
Os analistas destacam que a retomada das agressões contrasta com o otimismo que havia se formado no mercado, embora essa reação não tenha sido totalmente inesperada.
afirma Adriano Birle, economista responsável pelas análises de combustíveis e resinas plásticas da GEP Brasil.“A gente já vinha acompanhando como nessa guerra, durante o conflito, houve muitas mudanças de posição dos Estados Unidos e do Irã. Então já se esperava que fossem ocorrer situações como essa”,
Birle acrescenta que é prematuro afirmar que as expectativas do mercado mudaram completamente. Os analistas consultados relatam que o momento é de cautela e que a duração do conflito será determinante para as próximas movimentações do mercado.
observa Daniel Borges, CEO da Route Investimentos.“O cessar-fogo entre EUA e Irã é frágil, mas existe, e o mercado já mostrou nesse ciclo que devolve prêmio de risco tão rápido quanto embute”,
Borges complementa que o cenário de alta volatilidade deve prevalecer, sem necessariamente indicar que o petróleo se tornará estruturalmente mais caro. Adriano Birle e Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da Stonex, afirmam que a situação é incerta e que a relação diplomática entre os países é delicada, o que torna as projeções para os preços do petróleo suscetíveis a mudanças rápidas.
Cordeiro ressalta que as estimativas podem ficar desatualizadas diante dos novos desdobramentos no Oriente Médio. O mercado, no entanto, não deve acelerar as revisões, sendo necessário observar a evolução dos acontecimentos nos próximos dias para entender como o conflito no Golfo Pérsico afetará as cotações.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, reconhece que as bolsas de valores sofreram, mas acredita que isso pode ser um evento pontual. Ele enfatiza a importância de acompanhar os desdobramentos para determinar o novo nível de preços do petróleo e se a tendência de normalização será mantida.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

