A Assembleia Nacional da Nicarágua anunciou, na terça-feira (21), o início dos trabalhos para desenvolver um plano que implementará as diretrizes do presidente Daniel Ortega, que declarou a suspensão de novas eleições no último domingo (19). O comunicado, veiculado pela mídia estatal, destaca que o Parlamento realizará as análises necessárias para criar um plano de trabalho alinhado às orientações do chefe do Executivo.
Além disso, a Assembleia irá promover sessões especiais com o Conselho Supremo Eleitoral, com a finalidade de garantir que os trâmites constitucionais, legais e formais sustentem as reformas que estão por vir.
“As mudanças têm como objetivo garantir a paz, a segurança, a estabilidade e a continuidade das conquistas contra a pobreza”, afirmou a nota oficial.
A Assembleia Nacional, que se denomina a Nicarágua Soberana, informou que as análises seguem as declarações de Ortega sobre a necessidade de assegurar a estabilidade e a continuidade das conquistas sociais no país. Durante a comemoração do 47º aniversário da Revolução Sandinista, no domingo, Ortega descartou a possibilidade de eleições futuras, alegando que a intenção é impedir que a oposição assuma o poder.
Em suas declarações, Ortega afirmou que os opositores estão “à espreita” e a maioria deles reside fora do país. Ele também comentou sobre o potencial interesse da oposição em assumir o governo, afirmando que “aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder”.
O ex-guerrilheiro, que está no poder desde 2007, anunciou que a Assembleia Nacional trabalhará para aprovar “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. Nos últimos anos, o governo tem enfrentado críticas sobre fraudes eleitorais e a restrição de liberdades civis.
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro, mas reformas constitucionais implementadas em 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos, adiando, assim, as próximas eleições para novembro de 2027.
Em resposta às declarações de Ortega, o coletivo Nicaragua Nunca Más, que opera a partir da Costa Rica, denunciou a retirada dos direitos da sociedade civil. O coordenador da organização, Salvador Marenco, afirmou que a Frente Sandinista se tornou um partido quase único, sem oposição real no país, destacando o fechamento de mais de 5.600 entidades da sociedade civil e a cassação de partidos políticos.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também criticou a situação na Nicarágua, classificando o país como uma ditadura e pedindo ação da comunidade internacional. Ele reiterou que o povo nicaraguense tem o direito de escolher seus líderes em eleições democráticas.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) também declarou que a Nicarágua abandonou a democracia, ressaltando a gravidade da situação política atual no país.
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