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Policial

Cinco cidades respondem por 75% das mortes em operações na Baixada

Relatório aponta que cinco cidades da Baixada Fluminense concentram 75% das mortes por ações policiais.

24/07/2026 · 00h00 · Atualizado às 12h03
Cinco cidades respondem por 75% das mortes em operações na Baixada

Relatório do IDMJRacial aponta 282 mortos, 652 feridos e 5.298 operações entre 2020 e 2025 na região. Em 2022 foram 1.486 ações; cinco municípios concentram 75% das mortes.

Um relatório divulgado pelo IDMJRacial (Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial) nesta sexta-feira (24) apontou que 75% das mortes provocadas por operações policiais, entre 2020 e 2025, estão concentradas em cinco municípios da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

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O levantamento intitulado “Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ” revelou que, no período analisado, foram registradas 5.298 operações, resultando em 282 mortos, 652 feridos, 5.783 pessoas presas e 41 adolescentes apreendidos. O ano que mais registrou operações policiais na região foi 2022, com 1.486 casos, o que representa um aumento de 188% em relação a 2021, que teve 515 operações. Contudo, em 2023, o número de operações caiu para 1.233, com nova redução em 2024 (1.061) e 2025 (654).

As cidades com maior letalidade nas operações policiais são Duque de Caxias, que lidera com 66 mortos e 160 feridos; seguida por Belford Roxo, com 48 mortos e 127 feridos; São João de Meriti, com 41 mortos e 77 feridos; Nova Iguaçu, com 29 mortos e 85 feridos; e Japeri, com 28 mortos e 70 feridos.

O estudo também destacou que a falta de acompanhamento do estado de saúde das vítimas feridas impossibilitou a verificação de mortes adicionais após o registro na delegacia ou a identificação de sobreviventes que receberam assistência médica.

“Entendemos, a partir disso, que a redução de operações policiais não reduz a violência de estado”, afirma o relatório.

Entre as operações contabilizadas, a maioria foi realizada pela Polícia Militar, representando 86%. Contudo, o relatório também notou um aumento significativo nas operações da Polícia Civil, que, em 2024, registrou um número 614% maior de operações em comparação a 2020. Em 2020, foram identificadas 47 operações policiais pela Civil, enquanto em 2024, esse número subiu para 366.

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Entre 2020 e 2025, a letalidade policial nas operações da Polícia Civil aumentou consideravelmente. Em 2024, a corporação realizou 336 operações, com um índice de letalidade de 2%. No ano seguinte, mesmo com uma diminuição nas operações para 66, a taxa de letalidade saltou para 18%. Já a Polícia Militar registrou 282 mortes e 652 feridos em diferentes batalhões nos 13 municípios da Baixada no período analisado.

As operações policiais resultaram em 5.783 prisões na região. Em 2020, foram 359 prisões, número que subiu para 1.515 em 2023, atingindo um pico de 1.516 em 2024, e diminuindo para 757 em 2025. Atualmente, o estado possui a terceira maior população carcerária do Brasil, com 47 mil detentos.

Entre as iniciativas do estado na Baixada Fluminense está a “Operação Barricada Zero”, que visa a remoção de barricadas. Durante o período estudado, foram realizadas 267 ações com esse objetivo.

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“A narrativa de enfrentamento à violência tem sido utilizada em detrimento de um projeto de avanço da militarização desses territórios”, destaca o relatório.

Além disso, o levantamento revelou que, entre 2020 e 2025, a apreensão de fuzis nas operações policiais representou 5,5% do total de apreensões. Em relação aos veículos confiscados, as motocicletas foram a maioria (60%), seguidas por carros (20%), caminhões (15%) e vans (5%).

A metodologia do estudo baseou-se na mineração de dados, que processa grandes conjuntos de informações para identificar padrões e tendências. Segundo Kharine Gil, assistente social e pesquisadora da IDMJRacial, “os números evidenciados no relatório demonstram qual é o modus operandi do estado nos territórios favelados e periféricos”.

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Relatório do IDMJRacial aponta 282 mortos, 652 feridos e 5.298 operações entre 2020 e 2025 na região. Em 2022 foram 1.486 ações; cinco municípios concentram 75% das mortes.

Um relatório divulgado pelo IDMJRacial (Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial) nesta sexta-feira (24) apontou que 75% das mortes provocadas por operações policiais, entre 2020 e 2025, estão concentradas em cinco municípios da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

O levantamento intitulado “Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ” revelou que, no período analisado, foram registradas 5.298 operações, resultando em 282 mortos, 652 feridos, 5.783 pessoas presas e 41 adolescentes apreendidos. O ano que mais registrou operações policiais na região foi 2022, com 1.486 casos, o que representa um aumento de 188% em relação a 2021, que teve 515 operações. Contudo, em 2023, o número de operações caiu para 1.233, com nova redução em 2024 (1.061) e 2025 (654).

As cidades com maior letalidade nas operações policiais são Duque de Caxias, que lidera com 66 mortos e 160 feridos; seguida por Belford Roxo, com 48 mortos e 127 feridos; São João de Meriti, com 41 mortos e 77 feridos; Nova Iguaçu, com 29 mortos e 85 feridos; e Japeri, com 28 mortos e 70 feridos.

O estudo também destacou que a falta de acompanhamento do estado de saúde das vítimas feridas impossibilitou a verificação de mortes adicionais após o registro na delegacia ou a identificação de sobreviventes que receberam assistência médica.

“Entendemos, a partir disso, que a redução de operações policiais não reduz a violência de estado”, afirma o relatório.

Entre as operações contabilizadas, a maioria foi realizada pela Polícia Militar, representando 86%. Contudo, o relatório também notou um aumento significativo nas operações da Polícia Civil, que, em 2024, registrou um número 614% maior de operações em comparação a 2020. Em 2020, foram identificadas 47 operações policiais pela Civil, enquanto em 2024, esse número subiu para 366.

Entre 2020 e 2025, a letalidade policial nas operações da Polícia Civil aumentou consideravelmente. Em 2024, a corporação realizou 336 operações, com um índice de letalidade de 2%. No ano seguinte, mesmo com uma diminuição nas operações para 66, a taxa de letalidade saltou para 18%. Já a Polícia Militar registrou 282 mortes e 652 feridos em diferentes batalhões nos 13 municípios da Baixada no período analisado.

As operações policiais resultaram em 5.783 prisões na região. Em 2020, foram 359 prisões, número que subiu para 1.515 em 2023, atingindo um pico de 1.516 em 2024, e diminuindo para 757 em 2025. Atualmente, o estado possui a terceira maior população carcerária do Brasil, com 47 mil detentos.

Entre as iniciativas do estado na Baixada Fluminense está a “Operação Barricada Zero”, que visa a remoção de barricadas. Durante o período estudado, foram realizadas 267 ações com esse objetivo.

“A narrativa de enfrentamento à violência tem sido utilizada em detrimento de um projeto de avanço da militarização desses territórios”, destaca o relatório.

Além disso, o levantamento revelou que, entre 2020 e 2025, a apreensão de fuzis nas operações policiais representou 5,5% do total de apreensões. Em relação aos veículos confiscados, as motocicletas foram a maioria (60%), seguidas por carros (20%), caminhões (15%) e vans (5%).

A metodologia do estudo baseou-se na mineração de dados, que processa grandes conjuntos de informações para identificar padrões e tendências. Segundo Kharine Gil, assistente social e pesquisadora da IDMJRacial, “os números evidenciados no relatório demonstram qual é o modus operandi do estado nos territórios favelados e periféricos”.

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